segunda, 10 de agosto de 2026
06/11/2025

Economia & Negócios: Esperança: fim do tarifaço


Por Augusto César Diegoli (acdiegoli@gmail.com)

 

Montanha russa

Acabou de sair um levantamento dos parques temáticos que mais atraíram multidões no planeta. Em primeiro está o Magic Kingdom Park, no Walt Disney World Resort, em Orlando (Flórida), com impressionantes 17,83 milhões de visitantes em 2024. Considerando apenas a Amárica Latina e o Caribe, está lá, orgulhosamente, na liderança, o catarinense Beto Carrero World, com 2,5 milhões.

Para o mundo

Em Concórdia, onde nasceu em 1944, a Sadia é uma multinacional em expansão contínua. A MBRF, resultante da recente união dos frigoríficos Marfrig e BRF, anunciou a criação da Sadia Halal, negócio que envolve as operações, como centros de distribuição a unidade de abate, na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait e Omã. Estão incluídas também as exportações diretas para os clientes do norte da África. O negócio envolve US$ 2,07 bilhões.

Nepotismo normalizado

Mais uma espantosa decisão “suprema”: formou maioria para manter o entendimento que autoriza a nomeação de parentes para cargos políticos na administração pública. Essa maioria diz que “não há nepotismo quando o parente indicado possui qualificação técnica para exercer o cargo”. Parece cômico, mas é trágico.

Privação de liberdade

O Congresso Nacional está prestes a votar projeto que endurece a privação de liberdade de líderes de organizações criminosas armadas e de adolescentes infratores. Pelo texto, líderes de facções criminosas ou milícias cumprirão pena em presídio de segurança máxima, sem chance de se beneficiar com o regime aberto ou semiaberto. Parece muito bom, não é? Sim, desde que deputados e senadores se entendam com alguns ministros do “alto” Judiciário: só em 2024, o STJ (aquele que está sendo acusado de vender sentenças) concedeu 9.166 habeas corpus a traficantes. No STF foram 577 e o tráfico de drogas foi o crime mais beneficiado. O levantamento vem causando muita repercussão.

Esperança

A Federação das Indústrias de SC (Fiesc) tem subsidiado o Ministério e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) com informações estudos sobre os setores afetados pelo tarifaço e participado como uma ativa interlocutora, junto com a CNI, com o setor privado norte-americano e também o Departamento do Comércio. Além disso esteve na missão à Washington organizada pela CNI e tem participado de reuniões com o MDIC em diversas ocasiões. As tarifas de 50% aplicadas pelos Estados Unidos sobre exportações de produtos brasileiros já afetam significativamente as vendas de SC para o mercado ianque. Dados da balança comercial compilados pelo Observatório Fiesc mostram que em setembro as exportações para lá caíram 55%, em relação a igual período do ano anterior.

Geração Empreendedora

Visando despertar, estimular e orientar o desenvolvimento do espírito empreendedor e da cultura associativista, o projeto Geração Empreendedora, da Federação das Associações Empresariais de SC (Facisc), formou mais uma turma de jovens em Brusque. Realizada através da Associação Empresarial local, a iniciativa contemplou alunos da 2ª série do Ensino Médio, do Instituto Federal Catarinense Campus Brusque. O projeto é realizado há mais de 10 anos pela Facisc e na região está sendo aplicado, através do Núcleo de Jovens Empreendedores, Mulheres Empresárias e Núcleo de Tecnologia e Inovação da Associação Empresarial.

Na Bolsa

Os catarinenses tinham em outubro, R$ 22,3 bilhões investidos na B3, quantia que representa 3,7% de todo capital aplicado no país. Eram 293,3 mil contas vinculadas ao Estado na bolsa brasileira, o sexto maior resultado em números absolutos entre as unidades da federação. Segundo a empresa de consultoria Garoa Wealth Management, observa que o número de investidores cresceu 89,8% em relação a 2021 quando eram 154,5 mil. O valor total investido aumento 32,5% nesse período.

Bala na agulha

A Lua Luá anunciou um aporte de R$ 80 milhões para a expansão do parque fabril. O investimento tem meta de dobrar a capacidade produtiva e gerar 270 novas vagas até o fim de 2026. Esse movimento é uma necessidade natural diante da crescente demanda do mercado e do consequente aumento na produção, destaca a sócia-proprietária da marca.

Epidemia incontrolável

A proibição dos jogos de azar no Brasil não conteve a onda das bets e não é nenhum exagero dizer que os cassinos estão, sim, liberados no país. No momento em que qualquer pessoa com um celular e acesso à internet pode perder dinheiro em jogos virtuais, o veto à jogatina presencial, no caso, se torna um mero detalhe, uma formalidade obsoleta que não resiste ao clique. A legalização das apostas on-line, embalada por promessas de arrecadação e modernidade, escancarou um vício que se disfarça de entretenimento, infiltrando-se nas rotinas familiares. O Brasil precisa equilibrar a atividade das bets, reconhecendo que o jogo on-line, por estar disponível a qualquer hora no celular, apresenta riscos.

Arroz Combina

O arroz é um alimento considerado essencial no Brasil e faz dupla bicolor com o também essencial: o feijão. Apesar de serem alimentos saudáveis, estão sendo substituídos até por itens ultrapassados e enfrentando preços em queda. Dados do IPCA, inflação oficial do país, mostram que de janeiro a setembro deste ano o arroz ficou 20,85% mais barato e o feijão, 31,26%. Para incentivar o consumo, a Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) lançou a campanha nacional “Arroz Combina”. O foco é mostrar que é um produto que combina com dezenas de pratos e é saudável. O presidente da Abiarroz observa que a campanha tem como objetivo fortalecer a conexão cultural e afetiva da população com o arroz. SC é o segundo produtor nacional do arroz, atrás do RS.

Rombo fiscal

Um novo estudo divulgado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) revela que a situação fiscal das prefeituras atingiu o pior cenário da história. Dados parciais referente ao encerramento de exercício mostram que 54% delas estão no vermelho, com um déficit que chega a R$ 33 bilhões. Em SC, das 266 que fizeram parte da amostra, 42% tem déficit. O recorde está no Amapá, todas 100% não se sustentam. Entre os fatores que contribuíram para esse quadro estão a crescente necessidade de pessoal para a prestação de serviços. Também contam para o déficit as contratações de prestadores de serviços, despesas de custeio e com funcionalismo, locação de mão de obra e investimentos em obras e instalações.

Decreto imposto

As 200 Apaes existentes em SC que, com serviços reconhecidamente extraordinários, tem sido um modelo para o país ao longo dos anos, estão sendo atingidas por um terremoto. É um decreto federal, recente, sem ouvir as bases, estabelece a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva. Por ela, o atual atendimento educacional especializado, propiciado pelas Apaes, deverá ser feito no contraturno das escolas de ensino regular. A Assembleia Legislativa deverá aprovar uma moção de repúdio, para quem a medida representa retrocessos e desrespeito às entidades que atuam, há décadas, com a política de educação especial.

Ameaça às Apaes

Há uma forte reação política no Congresso Nacional para suspender os efeitos do arrogante decreto 12.686, do governo federal, que de uma hora para outra e imposto de cima, desmonta o modelo educacional que garante atendimento individualizado a estudantes com deficiência intelectual e múltipla, com o explícito risco quase de propósito intencional, de eliminar, na prática, o apoio técnico e financeiro às escolas especiais, como as Apaes, que 200 em SC.

Negócios com a China

Empresários de Brusque e outras cidades, como Gaspar, Ilhota e Rio dos Cedros, participaram de um encontro com representantes de grupos empresariais chineses, voltado à apresentação de ideias e potenciais parcerias comerciais entre os dois países. O evento foi realizado no Hotel Monthez e contou com um almoço para os convidados. A maioria dos empresários locais presentes atua no setor têxtil, tradicional na região e de grande interesse para o mercado chinês. Entre os dias 26 de novembro e 2 de dezembro, Florianópolis receberá uma comitiva de empresários chineses de diversos setores, incluindo alguns dos maiores compradores de carne bovina e de frango da China. A expectativa é que, em 2026, entre quatro e cinco grupos empresariais chineses visitem diferentes cidades catarinenses, incluindo Brusque.

Via Mar

É uma miragem, ainda, mas a rodovia paralela à BR-101 no trecho norte de SC, que o governo estadual quer bancar a partir do próximo ano, já tem um belo nome escolhido: Via Mar. No pré-projeto a nova rodovia é apresentada com pistas triplas nos dois sentidos, desde o Distrito Industrial de Joinville até a ligação com o Contorno Viário recentemente inaugurado na Grande Florianópolis. Ninguém mais discute a necessidade dessa obra. Nos 245 quilômetros do trecho da 101, que representa apenas 6% de toda a extensão da BR-101 no país, ocorrem 25% do total de acidentes, com 23% dos feridos em toda a estrada e 16% do total de óbitos. Em audiência pública na Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados, debateu-se a situação crítica da BR-101 entre Itajaí e Navegantes, onde se estima em R$ 1,2 bilhão por ano as perdas causadas pela lentidão no tráfego e pelo aumento no consumo de combustíveis. Uma estatística oficial recente aponta que de janeiro a junho deste ano 20 pessoas morreram em acidentes em apenas 40 quilômetros da rodovia.

No mundo dos negócios

É crescente a participação de mulheres no empreendedorismo empresarial e no trabalho em Santa Catarina. Mas ter êxito à frente de empresa própria ou chegar ao topo da direção de uma grande empresa como executivas são postos que requerem muito trabalho, formação técnica e coragem para enfrentar desafios. Com o propósito de impulsionar esses movimentos, o Sebrae/SC realizou o Delas Summit, no Centrosul, em Florianópolis. A coordenadora do encontro destacou o público de 7,5 mil participantes, 67% mais que na edição de 2024, o que coloca o evento como o maior do Brasil no segmento. Foram 250 palestras e uma feira com 300 empresas de todo o país lideradas por mulheres. Com economia em pleno emprego, SC se destaca no empreendedorismo feminino.

Referência em estamparia

A sustentabilidade que move a Ynovacor Estamparia Digital, de Brusque, ultrapassou os limites do parque fabril e chegou à passarela mais prestigiada da moda brasileira. A empresa foi convidada pela marca Normando para produzir as estampas da nova coleção apresentada no São Paulo Fashion Week, o maior evento do setor da América Latina, realizado recentemente. Reconhecida nacionalmente por unir tecnologia, qualidade e responsabilidade ambiental, a Ynovacor chamou a atenção da marca justamente pelo compromisso com processos sustentáveis.

Bam-bam-bam

Juliano Custódio, CEO da EQI Investimentos e o time de marketing e eventos da corretora catarinense foram homenageados na Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú pela 11ª Money Weeks, que ocorreu em agosto. Pelo menos 4,5 mil pessoas passaram pelo evento, promovendo a cidade como centro de inovação financeira.

Contra pichadores

A Polícia Civil de Brusque realizou uma operação contra pichadores de espaços públicos. A Divisão de Investigação Criminal (DIC) cumpriu quatro mandados de busca e apreensão. A ação contou com apoio da Prefeitura de Brusque e demais unidades da Polícia Civil de Brusque, Botuverá e Guabiruba. Os mandados foram cumpridos nos bairros Rio Branco, São Pedro, Aymoré e Dom Joaquim. Durante a operação foram apreendidas diversas latas de spray, anotações e cadernos contendo os mesmos traços vistos nas pichações dos espaços públicos, maconha, balança e materiais para a separação e preparo de entorpecentes para venda.

Etnias indígenas

O Brasil tem 391 etnias declaradas como indígenas, apontam dados de Censo Demográfico 2022 divulgado pelo IBGE. O estado de São Paulo apresenta a maior diversidade étnica do país, com a presença de 271 das etnias, à frente de Amazonas (259) e Bahia (233). Surpreendentemente, SC tem 147, ante 127 do Rio Grande do Sul e 161 do Paraná.

Embaixador

O High Tower, projeto da Aliança Empreendimentos com valor geral de vendas estimado em R$ 300 milhões, em Itapema, tem um embaixador. É Diego Ribas, ex capitão do Flamengo, comprador de uma das 48 unidades do espigão, que custam em média R$ 4 milhões. Com 165 metros de altura e 52 pavimentos, o edifício ficará entre os quatro mais altos da cidade.

Rede europeia de inovação

Brusque tornou-se a primeira administração municipal do Brasil a integrar a European Network of Research and Innovation Centres and Hubs (ENRICH), rede que conecta centros de inovação da Europa, América Latina e Caribe. A adesão, articulada pelo Conselho Municipal de Inovação, garante ao município e seus parceiros acesso a programas internacionais de capacitação, mentorias, eventos e investimentos. A iniciativa visa aproximar empresas, universidades e startups de Brusque de oportunidades de cooperação tecnológica e sustentável com instituições europeias, fortalecendo o ecossistema local de inovação e ampliando as possibilidades de captação de recursos e parcerias internacionais.

Palestra

O Secretário de defesa Civil de Blumenau, Carlos Menestrina, deu palestra no Smart Cities Park, que aconteceu em Nova Petrópolis (RS). Falou sobre o uso de dados e de inteligência que ajudam o poder público a tomar decisões mais assertivas em situações climáticas adversas. Com histórico de enchentes e enxurradas, Blumenau acabou se tornando referência nacional na área.

 

Nível baixo

Santa Catarina tem uma das melhores estruturas escolares do país, mas ainda enfrenta desafios quando o assunto é aprendizado. Segundo um levantamento da ONG Todos Pela Educação, a maioria dos estudantes catarinenses não alcança níveis adequados de conhecimento em Português e Matemática. O estudo mostra que, a cada 100 alunos, 93 concluem os anos iniciais do ensino fundamental até os 12 anos, mas apenas 52,3% atingem a aprendizagem considerada adequada nas duas disciplinas. Nos anos finais, o número cai para 22,9% e, no ensino médio, apenas 9,2% dos jovens chegam ao nível esperado.

Tecnologia, Prática e Humanização

Em seis anos de funcionamento, o curso de Medicina do Centro Universitário de Brusque (Unifebe) se consolidou entre as graduações mais estruturadas de SC. Com duas turmas formadas, totalizando 79 médicos, e mais 674 estudantes, o curso se destaca pela combinação entre infraestrutura metodologia voltada à prática e foco na formação humanizada. A reitora da Unifebe afirma que o objetivo da instituição é oferecer à comunidade uma formação médica de qualidade, apoiada em investimentos na estrutura e na capacitação dos profissionais que atuam no ensino. Um dos diferenciais do curso é o uso das metodologias ativas que colocam o aluno como protagonista do próprio aprendizado. Logo no início do curso, o acadêmico é inserido em ambientes de prática profissional. Ele vivencia o sistema de saúde brasileiro desde o início da sua formação, o que o prepara para atuar de forma ética, crítica e humanizada. A prática escalonada é essencial para o aprendizado.

Koerich: 70 anos

Em 2025, o Koerich completa 70 anos de história, consolidando-se como uma das marcas mais reconhecidas de SC. Fundada em 1955 por Eugênio Raulino Koerich, na cidade de São José, a empresa nasceu como um armazém de secos e molhados e evoluiu para se tornar referência no varejo de eletrodomésticos, eletroeletrônicos e móveis. Com mais de 130 lojas espalhadas por 67 cidades catarinenses e um time de 1.800 colaboradores, o Koerich mantém sua essência familiar, agora com gestão multigeracional e profissionalizada. Atualmente, três gerações da família Koerich atuam juntas, garantindo continuidade e visão de futuro.

Esperança: fim do tarifaço

A reunião entre os presidentes do Brasil e EUA foi amigável e abriu espaço para negociações de equipes técnicas dos dois governos para encaminharem o fim do tarifaço de 50% dos EUA a produtos brasileiros. As conversas já iniciaram e trouxe novas esperanças para o setor industrial catarinense, que tem nos Estados Unidos o maior mercado de exportações. A Federação das Indústrias de SC avaliou que a reunião mostrou disposição efetiva dos dois países para chegar a um acordo. O avanço das negociações reforça o compromisso de ambos os governos com a construção de soluções equilibradas para o comércio entre Brasil e EUA. A expectativa da indústria é de negociações com base em argumentos econômicos, setoriais e técnicos.



Blog

Missão ao Paraguai avança em parcerias para logística no comércio exterior

O aproveitamento da estrutura portuária de Santa Catarina para o comércio exterior do Paraguai e a formatação de uma parceria para viabilizar melhorias na logística para fornecimento de insumos para a agroindústria catarinense estão entre os principais destaque da missão oficial liderada pelo Governo do Estado e pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) ao país vizinho.

“A aproximação estratégica traz benefícios tanto para SC como para o Paraguai. Existe um mercado com muito potencial para crescer no intercâmbio comercial com os catarinenses”, explicou o presidente da FIESC, Gilberto Seleme.

Logística em pauta
A Rota do Milho, iniciativa para garantir o abastecimento constante de milho ao polo agroindustrial de proteína animal no Oeste de Santa Catarina, foi um dos temas abordados. O milho lidera a pauta exportadora do Paraguai para SC e foi responsável por 15,2% do total vendido pelo país ao estado em 2025, com US$ 70,5 milhões.

Além do esforço para garantir o suprimento de grãos, a comitiva abriu frentes para a transferência de tecnologias catarinenses à agricultura paraguaia e para a criação de Zonas de Processamento de Exportação (ZPE) conectadas aos portos do estado.

"Nossos grandes portos são opções muito competitivas de conexão com a Ásia e outros países para as importações e exportações do Paraguai, e avançamos ao abrir frentes para solidificar novas parcerias”, afirmou Seleme.

Complementaridade econômica
Os resultados da missão estão sustentados na forte sinergia entre os parques industriais de Santa Catarina e do Paraguai. Dados do Observatório FIESC apontam que, entre 2015 e 2025, o comércio de Santa Catarina com o Paraguai cresceu em ritmo muito superior à média nacional. No período, as exportações catarinenses subiram 99,1%, alcançando US$ 445,1 milhões em 2025, impulsionadas por bens de maior valor agregado, como cerâmica não vitrificada, máquinas e aparelhos mecânicos e equipamentos de refrigeração.

Em contrapartida, as importações catarinenses vindas do Paraguai deram um salto de 390,5%, entre 2015 e 2025 e atingiram US$ 464 milhões no ano passado. O milho lidera as compras, seguido por carne bovina, óleo de soja, tecidos para o polo têxtil do Vale do Itajaí e insumos metálicos como chumbo e sucata de cobre para o setor metalmecânico.

No âmbito da construção civil, a missão abriu frentes para atrair investimentos paraguaios ao setor imobiliário do litoral de Santa Catarina e impulsionar a venda de materiais catarinenses ao país vizinho. A transferência de tecnologias e soluções em infraestrutura para apoiar o forte ciclo de obras em expansão no Paraguai também foi debatida.

Próximos passos
Como desdobramento imediato dos compromissos assumidos em Assunção, equipes técnicas do Governo de Santa Catarina e da FIESC aprofundarão os estudos logísticos e regulatórios ao longo dos próximos meses. Uma nova agenda de aproximação está prevista para novembro, quando Santa Catarina sediará um encontro e seminário empresarial focado na relação com o Paraguai.


Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC
Gerência de Comunicação

Declaração do imposto sobre imóveis rurais pode ser feita por internet

A Receita Federal disponibiliza a partir desta segunda-feira (10) a versão web do serviço Minhas Declarações do ITR, que permite preencher, transmitir, retificar e consultar online a Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), sem necessidade de instalar programas no computador.
O acesso será feito pelo Portal de Serviços da Receita Federal com conta gov.br nível prata ou ouro.

O uso da plataforma será obrigatório para pessoas jurídicas e físicas proprietárias de imóveis rurais com área superior a 100 hectares. Proprietários de áreas de até 100 hectares também poderão apresentar a declaração por meio do Programa Gerador da Declaração (PGD ITR 2026).

A DITR é o documento usado para informar à Receita Federal os dados cadastrais do imóvel rural e de seu titular, as áreas do imóvel e outras informações necessárias para a apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR).

Devem apresentar a declaração os proprietários, usufrutuários, titulares do domínio útil ou detentores de imóveis rurais, pessoas físicas ou jurídicas. Em situações específicas, a obrigação também alcança condôminos, compossuidores e inventariantes.

Segundo a Receita Federal, o ambiente digital reúne, em um único local, declarações, recibos e documentos relacionados ao ITR, além de oferecer recursos como pré-preenchimento de dados cadastrais e acesso por dispositivos móveis.

A entrega da DITR fora do prazo está sujeita à Multa por Atraso na Entrega da Declaração (Maed).

Inadimplência cai em Santa Catarina, mas endividamento sobe

Em julho de 2026, a inadimplência das famílias catarinenses caiu para 23,6%, ante 25,4% registrados em junho. A redução de 1,8 ponto percentual também ficou evidente na comparação com o mesmo período do ano passado, quando o indicador era mais alto.

O resultado mantém Santa Catarina em patamar inferior ao índice nacional, que chegou a 29,8%. A média histórica do estado é de 22%, o que mostra que, apesar da melhora, o cenário ainda merece atenção.

Mesmo com a queda da inadimplência, o percentual de famílias endividadas aumentou para 76,9% em julho, alta de 0,6 ponto percentual em relação a junho. Esse foi o maior nível da série recente, embora o estado permaneça abaixo da média brasileira, de 82,0%.

Os dados fazem parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela CNC em parceria com a Fecomércio SC. Para a entidade, o movimento indica melhora em alguns indicadores, mas ainda dentro de um ambiente de crédito pressionado.

A pesquisa também aponta avanço na capacidade de pagamento das famílias. A parcela que afirma não ter condições de quitar as dívidas em atraso caiu de 9,9% para 9,5%, permanecendo abaixo do percentual nacional.

Além disso, o comprometimento médio da renda com dívidas ficou em 29,9%, enquanto o tempo médio de atraso alcançou 62,6 dias. Os números reforçam a combinação de alívio pontual com persistência de compromissos financeiros elevados.

O cartão de crédito continua sendo a principal modalidade de dívida entre as famílias catarinenses, presente em 69,6% dos endividados. Ainda assim, houve recuo expressivo em relação ao ano anterior, sinalizando mudança no comportamento de consumo.

Em contrapartida, modalidades como crédito consignado e financiamento de veículos ganharam espaço. Segundo a análise, isso indica migração para linhas de crédito mais estruturadas e, em tese, com condições mais previsíveis para o orçamento doméstico.

Para o presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni, a queda da inadimplência é um sinal positivo para a economia catarinense. Ele avalia que a melhora demonstra maior organização financeira das famílias.

A entidade, porém, destaca que os juros ainda estão em nível considerado proibitivo para o consumo e para o crescimento econômico. A expectativa é de que a trajetória de queda continue nos próximos períodos.

Redução da taxa de juros ainda é insuficiente, avaliam entidades

O quarto corte consecutivo na Taxa Selic, definido nesta quarta-feira (5) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), foi bem recebido por agentes econômicos, mas ainda é considerado insuficiente e restritivo para a expansão do setor industrial.

Em nota, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) ressaltou que a continuidade do ciclo de redução da Selic representa um sinal positivo para a atividade econômica, mas que o nível ainda elevado da taxa mantém o crédito caro e atrasa investimentos.

"O elevado custo de capital posterga investimentos, dificulta a modernização produtiva e limita a capacidade das empresas brasileiras de ganhar produtividade e competir nos mercados interno e externo. Esse quadro se reflete no desempenho da indústria de transformação, que cresceu apenas 0,4% no primeiro semestre do ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)", disse a entidade.

Na mesma linha, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) lembrou que os juros estão em patamar restritivo há 55 meses, e que Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa calculada com base na Regra de Taylor, estimada em 10,4%. Esta regra permite calcular uma taxa de juros que proporcione o controle da inflação sem desestimular o crescimento da economia.

"A taxa de juros real, aproximadamente de 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando que há espaço para cortes mais expressivos na Selic, sem prejuízos no combate à inflação".

Entre as organizações de trabalhadores, a Força Sindical também classificou como insuficiente a redução de 0,25 ponto percentual na Selic. Para a central sindical, juros elevados encarecem o crédito, reduzem investimentos, desestimulam o consumo e comprometem a geração de empregos.

"Perdemos uma excelente oportunidade de promover uma redução drástica da taxa de juros, dar uma injeção de ânimo no setor produtivo e alavancar mais a economia", disse a entidade, em nota.

Copom 
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu nesta quarta-feira (5) em 0,25 ponto percentual a Taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, que passará de 14,25% para 14% ao ano.

Esta é a quarta vez consecutiva que o comitê reduz os juros. A decisão foi tomada em reunião na sede do BC, em Brasília.

Segundo a instituição, o novo ajuste gradual de menos 0,25 ponto é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta no próximo período.

Sobre o ambiente externo, o BC voltou a apontar o cenário de indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas.

Curso gratuito de Relacionamento Interpessoal e Trabalho em Equipe está com inscrições abertas em Itapema

A Prefeitura de Itapema, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Habitação, segue com as inscrições abertas para mais uma capacitação gratuita do programa Itapema Qualifica, realizado em parceria com o SENAC/SC. Desta vez, a oportunidade é para o curso de Relacionamento Interpessoal e Trabalho em Equipe, voltado para quem deseja aprimorar competências comportamentais cada vez mais valorizadas pelo mercado de trabalho.

A formação tem como objetivo desenvolver habilidades essenciais para o ambiente profissional, como comunicação eficiente, cooperação, resolução de conflitos, inteligência emocional e convivência em equipe. O conteúdo também aborda princípios de etiqueta social e profissional, comunicação assertiva e técnicas para fortalecer o relacionamento interpessoal, contribuindo para um ambiente de trabalho mais produtivo, respeitoso e colaborativo.

Durante as aulas, os participantes aprenderão sobre os fundamentos do trabalho em equipe, compreendendo como a colaboração, a confiança e a união de diferentes habilidades podem potencializar resultados. O curso também apresenta estratégias para administrar conflitos de forma construtiva, além de explorar os principais elementos do processo de comunicação, identificando fatores que podem facilitar ou dificultar o entendimento entre as pessoas.

Outro destaque da capacitação é o desenvolvimento da comunicação assertiva, habilidade que permite expressar opiniões, necessidades e ideias com clareza, respeito e objetividade, fortalecendo as relações profissionais e pessoais.

O secretário de Desenvolvimento Econômico e Habitação, Nicko Silva, destacou a importância das capacitações para a formação profissional da população. " O Itapema Qualifica oferece oportunidades gratuitas para que a nossa população desenvolva essas competências e esteja cada vez mais preparada para conquistar uma vaga no mercado ou crescer na carreira", afirmou o secretário.

Inscrições e aulas
As inscrições podem ser realizadas presencialmente na Casa da Cidadania, localizada na Rua 216, nº 155, em Meia Praia, das 8h às 17h, ou de forma online pelo site qualifica.itapema.sc.gov.br. As vagas são gratuitas e serão preenchidas por ordem de inscrição. As aulas acontecerão nos dias 18, 20, 25 e 27 de agosto, além de 1º de setembro, na EMEB Bento Elói Garcia, localizada na Rua 402 B, nº 100, no bairro Morretes.

Juros altos agravam dificuldades da indústria, pondera CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera acertada a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. No entanto, pondera que os juros altos agravam as dificuldades da indústria e seguirão asfixiando empresas e famílias. 

“Não há justificativa compreensível para a manutenção da taxa de juros em um nível tão alto. A decisão do Banco Central piora a perspectiva para a indústria, já tão prejudicada pelas incertezas no cenário externo. Além disso, o crédito caro compromete gravemente a renda das famílias, que já apresentam níveis recordes de endividamento e inadimplência”, afirma Ricardo Alban, presidente da CNI. 

Juros continuam desproporcionais à trajetória da inflação
As expectativas de inflação apuradas pelo Boletim Focus vêm melhorando. Embora a projeção para o IPCA de 2026 seja de alta de 5,03%, as perspectivas para o índice em 2027 e 2028 continuam dentro do intervalo de tolerância da meta. Ao mesmo tempo, a inflação corrente vem perdendo força, o que deve continuar a ocorrer em julho. O IPCA-15, por exemplo, acumula alta de 4,52% em 12 meses até julho, resultado abaixo do observado no mês anterior (4,8%). Esses indicadores reforçam a leitura de acomodação das pressões de oferta e de demanda verificadas nos últimos meses. 

Além disso, a média dos núcleos de inflação de junho ficaram em 4,44% e apontam uma trajetória mais consistente com a meta de 3% da inflação, apesar da continuidade das incertezas geopolíticas e dos riscos climáticos.

Selic está 3,6 pontos percentuais acima do ideal
A CNI lembra que os juros estão em patamar restritivo há 55 meses. A Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa calculada com base na Regra de Taylor — estimada em 10,4%. Esta regra permite calcular uma taxa de juros que proporcione o controle da inflação sem desestimular o crescimento da economia. A taxa de juros real, aproximadamente de 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando que há espaço para cortes mais expressivos na Selic, sem prejuízos no combate à inflação. 

Real valorizado contribui para segurar a inflação 
Cabe destacar que, em um cenário marcado por tensões geopolíticas, o país segue atraindo investidores internacionais interessados no elevado diferencial de juros entre o Brasil e as economias desenvolvidas. O país continua oferecendo retorno atrativo para investidores internacionais, situação que contribui para a apreciação do real, que nos últimos doze meses se valorizou 8,6% frente ao dólar, o que ajudou a arrefecer o ímpeto inflacionário. 

Juros altos elevam endividamento e espremem margens
Consulta realizada pela CNI mostra que os juros devem trazer forte pressão financeira sobre o setor nos próximos três meses. Mais da metade das empresas (53%) prevê aumento na necessidade de financiamento para contas a pagar; 47% esperam pressão sobre contas a receber e 42% sobre estoques — sinais claros de elevação da necessidade de capital de giro. 

Entre as empresas que demandam mais capital, mais de 55% projetam encarecimento do crédito, e cerca de 39% devem ampliar o endividamento bancário. Como efeito direto do aperto, 58% antecipam redução das margens líquidas, comprometendo rentabilidade e capacidade de investimento. Para conter perdas, 51% tentarão manter preços para não perder competitividade frente a importados, enquanto 37% já planejam repassar custos ao valor final, o que pressiona a inflação. Segundo os empresários, os juros atuais funcionam como um “imposto invisível” que inviabiliza investimentos, freia contratações e desvia recursos para aplicações financeiras em vez da produção.

Taxas de juros e endividamento das famílias
O elevado nível de juros no crédito livre também encarece o refinanciamento das dívidas familiares. O resultado é o endividamento em patamar crítico e o comprometimento da renda, reduzindo recursos para consumo essencial e ampliando o risco de superendividamento. O "Desenrola 2.0" trata, sobretudo, o sintoma, sem atacar causas estruturais, como a baixa educação financeira e o elevado nível das taxas de juros. 

Aumento de etanol na gasolina divide opiniões sobre impacto em carros

Aprovado recentemente pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32) reacendeu o debate sobre os efeitos da medida tanto para o bolso dos consumidores como para o funcionamento dos veículos.
Contrário à mudança, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública para suspender a decisão do CNPE até que estudos específicos comprovem a segurança da nova mistura para os motores da frota brasileira.

Já a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) afirma que a ampliação da mistura fortalece a segurança energética do país, reduz a dependência de gasolina importada e ajuda a conter preços ao consumidor.

MPF
De acordo com o MPF, os estudos que embasaram a nova configuração da gasolina (com 32% de etanol) não demonstraram, de forma conclusiva, os impactos do E32 sobre durabilidade de componentes, emissões, autonomia e compatibilidade com diferentes tipos de veículos.

Na ação, o MPF aponta riscos de corrosão de peças, desgaste de bombas de combustível e falhas em sistemas de injeção eletrônica, especialmente em motocicletas, veículos antigos e modelos importados.

Os procuradores argumentam, ainda, que os estudos usados foram elaborados para o E30 e não para validar especificamente a adoção permanente do E32.

Por fim, o MPF argumenta que faltam estudos sobre impactos ambientais indiretos e pede perícia técnica independente.

Unica
Para a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), o aumento do percentual de etanol na gasolina é algo positivo porque favorece a segurança energética do país, além de reduzir a necessidade de importação de gasolina.

Além disso, acrescenta a Unica, não há evidências, nos resultados obtidos, de impactos sobre desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo, emissões ou funcionamento dos veículos em decorrência da adoção do E32.

A entidade lembra que o E32 foi avaliado em estudos coordenados pelo Ministério de Minas e Energia e realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia. Os testes foram feitos em veículos leves e motocicletas movidos a gasolina, fabricados entre 1994 e 2024.

Mesmo os veículos mais antigos avaliados não apresentaram impactos em partida, marcha lenta, aceleração ou dirigibilidade com a utilização do E32, acrescentou ao destacar que não foram identificados impactos relevantes em desempenho, consumo, dirigibilidade, partidas a frio ou funcionamento dos motores.

Além dos aspectos técnicos, a entidade sustenta que o aumento da participação do etanol pode beneficiar os consumidores ao reduzir a dependência de gasolina importada.

A estimativa é que o país deixe de importar cerca de 800 milhões de litros de gasolina por ano. Segundo a Unica, sem a presença do etanol no mercado nacional, o custo dos combustíveis teria aumentado em R$ 8 bilhões apenas nos últimos três meses.

Mais de 40% das indústrias migraram para o mercado livre de energia em 2 anos, aponta CNI

Pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 41% das indústrias brasileiras migraram para o mercado livre de energia desde 2024, quando entrou em vigor a norma do Ministério de Minas e Energia (MME) que ampliou o acesso dos consumidores ao ambiente de livre contratação. De acordo com os dados, 73% dos empresários que trocaram o mercado cativo pelo livre notaram redução dos custos com as tarifas de energia elétrica.

A Sondagem Especial Indústria e Energia 2026, divulgada nesta quinta-feira (30) pela CNI, revela que 30% das empresas consideram a migração para o mercado livre como a principal estratégia para reduzir o custo da conta de luz. Os dados apontam ainda que, em meio a um cenário de oscilações no setor elétrico impulsionado pela alta demanda global e por conflitos geopolíticos, o interesse das empresas pelo mercado livre de energia aumentou.

Apesar desse avanço, ainda há grande potencial para expansão desse mercado. Entre as empresas atendidas em baixa tensão que permanecem no mercado cativo, 37% demonstram interesse em migrar para o mercado livre. Os dados reforçam que a abertura gradual do setor tende a ampliar a competitividade das indústrias.

A pesquisa revela que, entre as grandes indústrias atendidas em alta tensão, 63% já compram energia no mercado livre. Entre as pequenas empresas, 22% informam atuar nesse ambiente de contratação, enquanto 45% permanecem no mercado cativo.

Os dados indicam também que 79% das indústrias utilizam a energia elétrica como principal insumo energético em seus processos produtivos. O custo da energia é apontado pelos industriais como um dos principais desafios do setor.

Confira a pesquisa: https://static.portaldaindustria.com.br/portaldaindustria/noticias/media/filer_public/43/8d/438d1f97-f43e-435f-83e2-f0a4118f1646/sondagem_cni_industria_e_energia_2026.pdf

Sondagem CNI Indústria e Energia 2026.pdf(6,1 MB)
“A pesquisa mostra a importância do custo da energia para a competitividade da indústria e que o caminho escolhido pelas empresas para diminuir as tarifas passa pela migração ao mercado livre”, destaca o gerente de Energia da CNI, Roberto Wagner Pereira.

“Além disso, precisamos melhorar o sinal de preços com a adoção de tarifas dinâmicas, que possam variar de acordo com a geração, o horário e a demanda dos consumidores. Associado a isso é imprescindível revisarmos a grande quantidade de subsídios que encarecem a conta de energia”, acrescenta o gerente da CNI.

83% das empresas dizem que custo da energia é importante para a competitividade
Segundo a sondagem, 62% dos industriais indicaram que houve algum impacto da variação dos preços de energia elétrica nos últimos 12 meses. Para 83% deles, a conta de luz é um fator imprescindível para a competitividade. Outros 67% consideram que o aumento das tarifas impacta diretamente os custos de produção.

O aumento da conta de luz foi apontado por 3% das empresas como alto (acima de 30% de reajuste). Para 20%, o impacto foi considerado médio (acima de 10% de aumento), enquanto para 39%, o impacto foi considerado baixo (abaixo de 10% de aumento).

Quase duas em cada três empresas (64%) investiram em alguma forma de economizar energia ou na diminuição dos custos tarifários. A principal opção apontada foi a migração para o mercado livre, apontada por 30% das indústrias.

Investimentos em autogeração e eficiência energética
Já os investimentos em autogeração e ações de eficiência energética foram elencados como alternativas para 13% das empresas respondentes. Outros 28% não tomaram nenhuma medida para otimização energética de seus processos produtivos.

O setor de produtos de borracha foi o que mais investiu na opção de autogeração (25% das empresas) e na migração para o mercado livre (38% das empresas). O setor que mais migrou para o mercado livre foi o calçadista (47% das empresas). O setor de equipamentos de informática e produtos eletrônicos, por sua vez, foi o que mais investiu em eficiência energética (25% das empresas).

A Sondagem Especial Indústria e Energia foi realizada em abril pela CNI, junto a 1.498 indústrias dos setores extrativo e de transformação, sendo 601 pequenas, 529 médias e 368 grandes empresas.

Energia cara: quem vai pagar essa conta?

A energia elétrica é o principal insumo da indústria brasileira e um fator decisivo para a competitividade da economia. O Brasil reúne condições privilegiadas: tem uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, com mais de 85% da geração proveniente de fontes renováveis, e vem ampliando rapidamente a participação da energia solar e eólica. Ainda assim, convivemos com um paradoxo difícil de justificar. Produzimos energia a baixo custo, mas pagamos uma das tarifas mais altas do mundo.

A principal explicação para essa distorção não está no custo de geração, transmissão ou distribuição, mas no crescimento contínuo dos encargos setoriais, subsídios e tributos embutidos na conta de luz. Hoje, cerca de 40% da tarifa corresponde a impostos e encargos setoriais, percentual que compromete a competitividade da indústria, reduz investimentos e encarece a produção nacional. A Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), principal mecanismo de financiamento de subsídios do setor, ilustra essa escalada: seu orçamento passou de R$ 14 bilhões em 2013 para mais de R$ 52 bilhões previstos para 2026.

O Brasil segue um caminho que vai na contramão da racionalidade e do razoável. Ao longo dos anos, diferentes políticas públicas foram incorporadas à tarifa de energia por meio de encargos criados, muitas vezes, com objetivos legítimos. O problema é que esses mecanismos se acumularam sem revisões periódicas, transformando-se em um conjunto de subsídios permanentes que pesa sobre consumidores e empresas. Criar encargos tornou-se politicamente mais fácil do que financiá-los pelo orçamento público, reduzindo a transparência e perpetuando distorções econômicas.

A facilidade política para criar encargos contrasta com a enorme dificuldade para sua revisão ou eliminação. Essa é a razão pela qual se prefere garantir subsídios via encargos, que não passam pelo escrutínio político na análise do orçamento público, em detrimento do uso de recursos orçamentários. Assim, os encargos setoriais acabam financiando políticas e subsídios que tendem a se perpetuar, mesmo quando perdem a eficiência econômica.

A redução desse peso sobre a conta de luz é uma das principais propostas da indústria brasileira para o próximo mandato presidencial. Este tópico está destacado como a prioridade no documento que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) entregou aos pré-candidatos à Presidência da República, em evento realizado em junho.

No fim do século passado, nosso sistema elétrico era considerado um dos mais eficientes do mundo. Os grandes reservatórios hidrelétricos e um sistema interligado por uma ampla rede de transmissão garantiam a segurança e o baixo custo da eletricidade. Essa situação representava uma importante vantagem competitiva para a economia brasileira e para a indústria.

Infelizmente, esse tempo passou. A energia elétrica, agora, é cara. O recente histórico de intervenções no setor aliado às questões de gestão e de planejamento desestabilizaram o modelo, gerando complexidade, judicialização e enormes passivos financeiros. 

O PL 5017/2019 foi aprovado recentemente na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado Federal, determinando a criação de mais subsídios e contratações compulsórias de geração que novamente irão aumentar a tarifa de energia, sem que critérios técnicos ou econômicos sejam considerados. 

O novo texto aprovado na Comissão de Serviços de Infraestrutura pegou o setor elétrico de surpresa. Estimativas da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia apontam que o custo acumulado com esses novos penduricalhos da conta de luz chegará a R$ 1,5 trilhão no acumulado na conta de luz até 2057, caso o Congresso Nacional aprove o projeto que prevê a contratação obrigatória de termelétricas a gás e pequenas hidrelétricas, entre outros dispositivos.

Trata-se de um caminho incompatível com a necessidade urgente de reduzir o Custo Brasil. A indústria é o setor da economia mais sensível ao preço dos insumos energéticos, devido à elevada participação da energia no custo total de produção. A racionalização dos encargos, a redução gradual de subsídios que já não se justificam, o aperfeiçoamento da formação de preços e a ampliação da concorrência devem integrar uma agenda consistente de reformas.

O Brasil não pode desperdiçar a vantagem de ter uma das matrizes elétricas mais renováveis e competitivas do planeta. A energia precisa voltar a ser um diferencial para impulsionar a indústria, atrair investimentos e acelerar o crescimento econômico. Isso exige coragem para enfrentar privilégios, revisar subsídios e construir um setor elétrico mais transparente, eficiente e sustentável. Reduzir os penduricalhos da conta de luz não é apenas uma necessidade para os consumidores, mas uma condição indispensável para devolver competitividade à economia brasileira.

*Ricardo Alban é empresário e presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O artigo foi publicado na Folha de S. Paulo, no dia 30 de julho de 2026.

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