domingo, 09 de agosto de 2026
25/04/2025

Economia & Negócios: Economia aquecida


Augusto César Diegoli (acdiegoli@gmail.com)

Economia aquecida
Contrariando previsões de que a economia brasileira começaria o ano com ritmo mais fraco em função da alta dos juros, a atividade econômica de SC ganhou fôlego maior. O Índice de Atividade Econômica Regional apurado pelo Banco Central, considerado uma prévia do PIB, mostra que a economia do estado cresceu 6,8% em janeiro e fevereiro, acima da média nacional, de 3,8%. O indicador acompanhado e consolidado pelo Observatório Fiesc, da Federação das Indústrias do Estado, mostra que o crescimento catarinense foi puxado pela produção industrial, que avançou 7,6% no período. Os outros setores também tiveram alta relevante: o comércio ampliado cresceu 6,7% no mesmo período e os serviços avançaram 4,5%. 


Greve interminável 
Após 235 dias de paralisação, 300 médicos peritos do INSS voltaram ao trabalho. Inacreditável: e o ministro da Previdência, o inepto Carlos Luppi, a quem o INSS está sob comando, ainda foi “homenageado”, dia desses, com o título de “cidadão honorário” de SC, pelos “relevantes serviços prestados”. 


Liderança no turismo 
A preferência de muitos turistas por viajar em SC aparece nos números do IBGE. A Pesquisa Mensal de Serviços de fevereiro mostrou que nos últimos 12 meses, até fevereiro deste ano, Santa Catarina registrou o maior crescimento de setor turístico do país, alta de 11% frente aos 12 meses anteriores. O presidente da Fecomércio-SC destaca que a temporada de verão, com praias lotadas, ajudou nesse resultado positivo para SC. A maior presença de argentinos foi fundamental. 


Enturmado 
Bilionário recente, o empresário catarinense Ricardo Faria, o “rei do Ovo”, está se enturmando com a elite nacional. Para comemorar seus 50 anos fez um festão em São Paulo, no penúltimo final de semana, fazendo questão de reunir figuras do mundo dos negócios, esporte, mídia, música, política e ... justiça. Nessa plêiade aparecem por lá ministros de tribunais regionais. Conforme o jornal “Correio Brasiliense”, os deputados ainda não param de comentar sobre a festa.


Preso que produz 
Acerca do alto índice de presidiários de SC que exercem trabalho remunerado (8,3 mil dos 28,1 mil privados de liberdade), uma avaliação interna e permanente do governo estadual conclui que a iniciativa constitui um poderoso bloqueio para a tomada dos presídios pelas facções. Com um ofício, uma renda para si e sua família, o presidiário imagina ser mais fácil quando conquistar a liberdade, se reintegrar à sociedade e não cair em tentações criminosas. 


Times Square
Balneário Camboriú vai ganhar este ano mais um atrativo com referência global: uma Time Square para o Réveillon. O complexo gastronômico New York Lounge terá como âncora um telão circular de esquina. A inspiração veio da famosa Times Square, no coração de Nova York (EUA). Como a inauguração está prevista para setembro próximo, a virada de 2025 para 2026 será com a nova atração em BC. O novo complexo, com 453 metros quadrados e 26 lojas, fica na esquina que dá acesso a duas avenidas, a Brasil e a Alvin Bauer. 


Treinador sensação 
Catarinense de Blumenau e primeiro campeão brasileiro na liga norte-americana de basquete (NBA), Tiago Splitter, 40 anos, virou uma grande estrela do esporte na França, como treinador do time do Paris Basketball, sensação da temporada da Euroliga. Acaba de ser eleito o melhor treinador do primeiro turno. 


SC invadida pelos hermanos
A junção do feriado de Páscoa com Tiradentes está garantindo ocupação do que na semana de Páscoa de 2024 na rede hoteleira do litoral de SC. A fase também é impulsionada pela maior presença de estrangeiros devido à moeda favorável e também a semana de turismo no Uruguai. A projeção da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis estima que a ocupação hoteleira chegue entre 80% e 95%. Em Florianópolis, cerca de 40% dos turistas são estrangeiros, a maioria do Uruguai.  


Linguiça
Não está sendo fácil para 16 municípios do Vale do Itajaí manter a chamada indicação geográfica da origem da “linguiça Blumenau”. Uma empresa de Biguaçu foi a Justiça questionar a legitimidade do ato do INPI, dentre outras entidades, que fez o reconhecimento para o produto. Perdeu. Desde dezembro do ano passado nota técnica da Cidasc determina que estabelecimentos fora da área de indicação geográfica não poderiam mais usar a nomenclatura e readequar os títulos em 150 dias. 


Cruzeiros movimentam milhões 
Com 40 navios atracados e mais de 157 mil passageiros embarcando e desembarcando, Itajaí encerrou oficialmente dia 14, no Centreventos, a temporada de cruzeiros 2024/2025, a maior da história do município. O período começou em 18 de dezembro de 2024 e terminou em 14 de abril deste ano. De acordo com dados da Clia Brasil (Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos), o gasto médio por turista na cidade foi de R$ 773, resultando em aproximadamente R$ 120 milhões injetados na economia local. Setores como transporte, alimentação, hospedagem, comércio e serviços foram diretamente beneficiados com o aumento do fluxo de visitantes.


Brasil entre Gigantes 
Enquanto Estados Unidos e China trocam ameaças comerciais, o Brasil precisa, mais do que nunca, enxergar esse embate como uma oportunidade de se reposicionar estrategicamente no cenário global. A recente escalada das tensões entre Washington e Pequim renova o temor de uma guerra comercial em larga escala. Para países exportadores como o Brasil, os impactos podem ser significativos, tanto pelas incertezas nos fluxos de comércio quanto pelos efeitos indiretos sobre a competitividade da indústria nacional. Mais do que as tarifas em si, o maior risco está no redirecionamento de produtos chineses para outros mercados. Se os EUA fecharem ainda mais suas portas, o Brasil pode se tornar um dos destinos desse excedente. Setores como o têxtil, o eletrônico e o de bens de consumo duráveis estariam diante de uma concorrência intensa, com produtos de baixo custo e alto volume pressionando o mercado interno. Ao mesmo tempo, a China se movimenta com agilidade. Acelera sua diplomacia econômica e avança em acordos regionais estratégicos. 


Pejotização
Em parecer enviado ao STF, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) alertou que autorizar a chamada pejotização de trabalhadores pode ter consequências nefastas sobre a arrecadação fiscal e o custeio da Previdência. A pejotização ocorre quando uma empresa contrata um prestador de serviço como pessoa jurídica com o objetivo de mascarar uma relação trabalhista. Com isso, o trabalhador e o contratante evitam o pagamento de encargos trabalhistas. Tal artifício aniquilaria o dever que vincula profissionais liberais qualificados ao pagamento de imposto de renda, frisou a PGFN, e desfalcaria o caixa da Previdência Social, afastando-se a incidência da contribuição social patronal.  


Oportunidades e riscos
A guerra tarifária deflagrada pelo presidente dos EUA gera notícias difíceis de se compreender todos os dias. Mas entre anúncios estridentes e retrocessos, disparos contra aliados históricos e o debate global sobre a melhor maneira de reagir a tudo isso, duas coisas ficam mais claras: o alvo central de Trump realmente é a China e o objetivo é reindustrializar os Estados Unidos. A China transformou-se na “fábrica do mundo” ao combinar salários baixos com uma política industrial e tecnológica agressiva e um câmbio favorável. Mesmo que muitas de suas práticas sejam questionáveis, o resultado foi um nível de competitividade global tão intenso que as tarifas impostas por Trump em seu primeiro mandato pouco abalaram sua força produtiva. Os chineses redobraram esforços e elevaram significativamente o desenvolvimento tecnológico em suas fábricas, altamente robotizadas. 


Saneamento em SC
Desde fevereiro deste ano, quando retirou da pauta da Assembleia Legislativa o PLC que instituía a Microrregião de Águas e Esgoto de SC, o governo do estado vem buscando soluções para ampliar as discussões junto aos municípios e devolver ao Legislativo um texto robusto, amparado por debate amplo e com maior segurança jurídica. Para isso, o governador conta com a parceria do presidente da Federação dos Municípios. O objetivo é evitar o que aconteceu com o chamado PL da Casan, que acabou bombardeado nas redes sociais e, dentro da Assembleia e não prosperou. Conforme o novo marco do saneamento, o estado tem até 2026 para alinhar a legislação sobre o tema. 


Sincericídios 
Ministros “supremos” costumam se soltar em compromissos fora do País. Desta vez foi Gilmar Mendes, que foi a Harvard participar de um evento, a Brazil Conference 2025. Lá, confessou estar “muito orgulhoso” por ter trabalhado pelo desmanche da Operação Lava Jato, que agora compara ao PCC, como se fosse uma organização criminosa. Este evento em Harvard teve patrocínio do Banco BTG, cujo dono foi aliviado recentemente com o arquivamento de dois inquéritos gerados por delações premiadas na operação que ele agora condena, e que agora não vale mais nada. Por estas é que os “supremos” tem apenas 12% de seu desempenho avaliado como ótimo ou bom pelos brasileiros. 


Conflito 
É muito importante conhecer e optar pela forma mais adequada para solucionar um conflito, que nem sempre é a via judicial, a que todos nós geralmente estamos acostumados a procurar. São elas: a negociação, a mediação e a arbitragem. 


Trump e nós 
As loucuras de Trump estão chegando perto de nós. Prometeu enviar em maio um grupo de auditores ao Brasil para fazer uma inspeção detalhada sobre as condições sanitárias e de infraestrutura de dezenas de frigoríficos que atualmente tem autorização para exportar carne bovina e suína para os americanos. Dentre eles o catarinense Aurora. 


Sobra dinheiro?
No ano passado, a Secretaria da Proteção e Defesa Civil de SC utilizou apenas 32% (RS 7,2 milhões) dos R$ 30,8 milhões reservados e o Fundo Estadual de Proteção e Defesa Civil aplicou R$ 23,6 milhões (49%) do total de R$ 48,1 milhões disponibilizados. Em resumo: gastou-se R$ 30,8 milhões dos R$ 70,5 milhões em caixa. O Tribunal de Contas ficou intrigado e decidiu que vai fazer um novo processo de acompanhamento da execução orçamentária e financeira do órgão para este ano. Pergunta que não quer calar: e se faltasse dinheiro diante de uma catástrofe, quem seria o culpado? 


Poluição sonora 
O governador de SC levou as duas mãos aos ouvidos após ouvir taxativamente do presidente nacional do Sebrae, Décio Lima, que é de Santa Catarina, na propaganda eleitoral do partido nos meios de comunicação, que Lula fez o Contorno Viário de Florianópolis. Diante da afirmação, Lula foi comparado ao chopim, uma ave que tem hábito de pôr seus ovos no ninho já pronto e quentinho, mas de outros, tendo o capricho de dar um jeito de tirar os que estavam lá para dar lugar aos seus. Pelo jeito, a troca de farpas entre os dois não terá trégua tão cedo. 


Baleia Franca 
A polêmica, porque foi arbitrária, como faz o ambientalismo-caviar instalado em Brasília, comprometendo repentinamente o cotidiano de cerca de 50 mil famílias, delimitação da área de Proteção Ambiental da Baleia Franca, que vai de Palhoça até Laguna, com 150 mil hectares que passarão a ter ocupação extremamente restrita ou até com evacuação de parte dos atuais moradores ao longo de uma faixa litorânea de 130 quilômetros de costa. Se encaminha um aparente armistício com o projeto de lei 849/2025 que propõe sua redução, sem que as baleias tenham qualquer chilique. 

Sem fraude 
Uma operação envolvendo múltiplos órgãos estaduais deixa o consumidor catarinense um tanto tranquilo nos dias que antecederam a Semana Santa pela primeira vez se fez uso de uma tecnologia de ponta para sequenciamento de DNA em 56 amostras colhidas em pontos de comercialização de peixes em várias cidades, para checar a autenticidade das espécies vendidas. Comparadas com a informação do rótulo, uma surpresa muito boa: confirmou-se apenas uma tentativa de fraude. 


Fica com está 
Segundo uma enquete nas redes sociais para dar vez à população de Santa Catarina a respeito da proposta em tramitação para se mudar o Hino de SC. Para surpresa, 87% das pessoas se posicionaram contra a alteração. Conclusão: “as pessoas não conhecem o hino porque não aprenderam a cantá-lo”. Pode ser mesmo. Foi protocolado um projeto de lei que determina às escolas a execução uma vez por semana, dos hinos de SC e do Brasil, como, aliás, se fazia nos velhos tempos em que o civismo era algo levado muito a sério. 


Mediação 
Com a entrada em vigor do Novo CPC, em março de 2016, onde busca por um acordo através da Conciliação é um pré-requisito processual sendo um recurso adotado para diminuir o grande número de processos tramitando na Justiça, beneficiando a instituição e a população. O tema Mediação, juntamente com as demais técnicas de solução de conflitos, foi tema da Revista Catarinense de Solução de Conflitos (RCSC). Os Métodos Adequados de Solução de Conflitos e a Federação Catarinense das Entidades de Mediação e Arbitragem, tem foco na Arbitragem, Conciliação, Mediação e Negociação, com artigos, matérias, entrevistas abordando a temática, visando disseminar a cultura de aproximação das partes em litígio para solucionar de forma amigável o seu problema, sem a necessidade de demandar no Judiciário. 


Tijucas 
A Cerâmica Portobello perde trono em Tijucas e nova gigante assume a liderança na geração de riqueza. No ranking revela as 10 empresas que mais geraram riqueza no município e a líder está surpreendendo. Em uma virada histórica para a economia de Tijucas, a Growth Supplements, empresa do ramo de produtos alimentícios e suplementos, conquistou o posto de maior arrecadadora de Valor Adicionado Municipal (VAM) do município. 



Blog

Redução da taxa de juros ainda é insuficiente, avaliam entidades

O quarto corte consecutivo na Taxa Selic, definido nesta quarta-feira (5) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), foi bem recebido por agentes econômicos, mas ainda é considerado insuficiente e restritivo para a expansão do setor industrial.

Em nota, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) ressaltou que a continuidade do ciclo de redução da Selic representa um sinal positivo para a atividade econômica, mas que o nível ainda elevado da taxa mantém o crédito caro e atrasa investimentos.

"O elevado custo de capital posterga investimentos, dificulta a modernização produtiva e limita a capacidade das empresas brasileiras de ganhar produtividade e competir nos mercados interno e externo. Esse quadro se reflete no desempenho da indústria de transformação, que cresceu apenas 0,4% no primeiro semestre do ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)", disse a entidade.

Na mesma linha, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) lembrou que os juros estão em patamar restritivo há 55 meses, e que Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa calculada com base na Regra de Taylor, estimada em 10,4%. Esta regra permite calcular uma taxa de juros que proporcione o controle da inflação sem desestimular o crescimento da economia.

"A taxa de juros real, aproximadamente de 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando que há espaço para cortes mais expressivos na Selic, sem prejuízos no combate à inflação".

Entre as organizações de trabalhadores, a Força Sindical também classificou como insuficiente a redução de 0,25 ponto percentual na Selic. Para a central sindical, juros elevados encarecem o crédito, reduzem investimentos, desestimulam o consumo e comprometem a geração de empregos.

"Perdemos uma excelente oportunidade de promover uma redução drástica da taxa de juros, dar uma injeção de ânimo no setor produtivo e alavancar mais a economia", disse a entidade, em nota.

Copom 
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu nesta quarta-feira (5) em 0,25 ponto percentual a Taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, que passará de 14,25% para 14% ao ano.

Esta é a quarta vez consecutiva que o comitê reduz os juros. A decisão foi tomada em reunião na sede do BC, em Brasília.

Segundo a instituição, o novo ajuste gradual de menos 0,25 ponto é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta no próximo período.

Sobre o ambiente externo, o BC voltou a apontar o cenário de indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas.

Curso gratuito de Relacionamento Interpessoal e Trabalho em Equipe está com inscrições abertas em Itapema

A Prefeitura de Itapema, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Habitação, segue com as inscrições abertas para mais uma capacitação gratuita do programa Itapema Qualifica, realizado em parceria com o SENAC/SC. Desta vez, a oportunidade é para o curso de Relacionamento Interpessoal e Trabalho em Equipe, voltado para quem deseja aprimorar competências comportamentais cada vez mais valorizadas pelo mercado de trabalho.

A formação tem como objetivo desenvolver habilidades essenciais para o ambiente profissional, como comunicação eficiente, cooperação, resolução de conflitos, inteligência emocional e convivência em equipe. O conteúdo também aborda princípios de etiqueta social e profissional, comunicação assertiva e técnicas para fortalecer o relacionamento interpessoal, contribuindo para um ambiente de trabalho mais produtivo, respeitoso e colaborativo.

Durante as aulas, os participantes aprenderão sobre os fundamentos do trabalho em equipe, compreendendo como a colaboração, a confiança e a união de diferentes habilidades podem potencializar resultados. O curso também apresenta estratégias para administrar conflitos de forma construtiva, além de explorar os principais elementos do processo de comunicação, identificando fatores que podem facilitar ou dificultar o entendimento entre as pessoas.

Outro destaque da capacitação é o desenvolvimento da comunicação assertiva, habilidade que permite expressar opiniões, necessidades e ideias com clareza, respeito e objetividade, fortalecendo as relações profissionais e pessoais.

O secretário de Desenvolvimento Econômico e Habitação, Nicko Silva, destacou a importância das capacitações para a formação profissional da população. " O Itapema Qualifica oferece oportunidades gratuitas para que a nossa população desenvolva essas competências e esteja cada vez mais preparada para conquistar uma vaga no mercado ou crescer na carreira", afirmou o secretário.

Inscrições e aulas
As inscrições podem ser realizadas presencialmente na Casa da Cidadania, localizada na Rua 216, nº 155, em Meia Praia, das 8h às 17h, ou de forma online pelo site qualifica.itapema.sc.gov.br. As vagas são gratuitas e serão preenchidas por ordem de inscrição. As aulas acontecerão nos dias 18, 20, 25 e 27 de agosto, além de 1º de setembro, na EMEB Bento Elói Garcia, localizada na Rua 402 B, nº 100, no bairro Morretes.

Juros altos agravam dificuldades da indústria, pondera CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera acertada a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. No entanto, pondera que os juros altos agravam as dificuldades da indústria e seguirão asfixiando empresas e famílias. 

“Não há justificativa compreensível para a manutenção da taxa de juros em um nível tão alto. A decisão do Banco Central piora a perspectiva para a indústria, já tão prejudicada pelas incertezas no cenário externo. Além disso, o crédito caro compromete gravemente a renda das famílias, que já apresentam níveis recordes de endividamento e inadimplência”, afirma Ricardo Alban, presidente da CNI. 

Juros continuam desproporcionais à trajetória da inflação
As expectativas de inflação apuradas pelo Boletim Focus vêm melhorando. Embora a projeção para o IPCA de 2026 seja de alta de 5,03%, as perspectivas para o índice em 2027 e 2028 continuam dentro do intervalo de tolerância da meta. Ao mesmo tempo, a inflação corrente vem perdendo força, o que deve continuar a ocorrer em julho. O IPCA-15, por exemplo, acumula alta de 4,52% em 12 meses até julho, resultado abaixo do observado no mês anterior (4,8%). Esses indicadores reforçam a leitura de acomodação das pressões de oferta e de demanda verificadas nos últimos meses. 

Além disso, a média dos núcleos de inflação de junho ficaram em 4,44% e apontam uma trajetória mais consistente com a meta de 3% da inflação, apesar da continuidade das incertezas geopolíticas e dos riscos climáticos.

Selic está 3,6 pontos percentuais acima do ideal
A CNI lembra que os juros estão em patamar restritivo há 55 meses. A Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa calculada com base na Regra de Taylor — estimada em 10,4%. Esta regra permite calcular uma taxa de juros que proporcione o controle da inflação sem desestimular o crescimento da economia. A taxa de juros real, aproximadamente de 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando que há espaço para cortes mais expressivos na Selic, sem prejuízos no combate à inflação. 

Real valorizado contribui para segurar a inflação 
Cabe destacar que, em um cenário marcado por tensões geopolíticas, o país segue atraindo investidores internacionais interessados no elevado diferencial de juros entre o Brasil e as economias desenvolvidas. O país continua oferecendo retorno atrativo para investidores internacionais, situação que contribui para a apreciação do real, que nos últimos doze meses se valorizou 8,6% frente ao dólar, o que ajudou a arrefecer o ímpeto inflacionário. 

Juros altos elevam endividamento e espremem margens
Consulta realizada pela CNI mostra que os juros devem trazer forte pressão financeira sobre o setor nos próximos três meses. Mais da metade das empresas (53%) prevê aumento na necessidade de financiamento para contas a pagar; 47% esperam pressão sobre contas a receber e 42% sobre estoques — sinais claros de elevação da necessidade de capital de giro. 

Entre as empresas que demandam mais capital, mais de 55% projetam encarecimento do crédito, e cerca de 39% devem ampliar o endividamento bancário. Como efeito direto do aperto, 58% antecipam redução das margens líquidas, comprometendo rentabilidade e capacidade de investimento. Para conter perdas, 51% tentarão manter preços para não perder competitividade frente a importados, enquanto 37% já planejam repassar custos ao valor final, o que pressiona a inflação. Segundo os empresários, os juros atuais funcionam como um “imposto invisível” que inviabiliza investimentos, freia contratações e desvia recursos para aplicações financeiras em vez da produção.

Taxas de juros e endividamento das famílias
O elevado nível de juros no crédito livre também encarece o refinanciamento das dívidas familiares. O resultado é o endividamento em patamar crítico e o comprometimento da renda, reduzindo recursos para consumo essencial e ampliando o risco de superendividamento. O "Desenrola 2.0" trata, sobretudo, o sintoma, sem atacar causas estruturais, como a baixa educação financeira e o elevado nível das taxas de juros. 

Aumento de etanol na gasolina divide opiniões sobre impacto em carros

Aprovado recentemente pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32) reacendeu o debate sobre os efeitos da medida tanto para o bolso dos consumidores como para o funcionamento dos veículos.
Contrário à mudança, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública para suspender a decisão do CNPE até que estudos específicos comprovem a segurança da nova mistura para os motores da frota brasileira.

Já a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) afirma que a ampliação da mistura fortalece a segurança energética do país, reduz a dependência de gasolina importada e ajuda a conter preços ao consumidor.

MPF
De acordo com o MPF, os estudos que embasaram a nova configuração da gasolina (com 32% de etanol) não demonstraram, de forma conclusiva, os impactos do E32 sobre durabilidade de componentes, emissões, autonomia e compatibilidade com diferentes tipos de veículos.

Na ação, o MPF aponta riscos de corrosão de peças, desgaste de bombas de combustível e falhas em sistemas de injeção eletrônica, especialmente em motocicletas, veículos antigos e modelos importados.

Os procuradores argumentam, ainda, que os estudos usados foram elaborados para o E30 e não para validar especificamente a adoção permanente do E32.

Por fim, o MPF argumenta que faltam estudos sobre impactos ambientais indiretos e pede perícia técnica independente.

Unica
Para a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), o aumento do percentual de etanol na gasolina é algo positivo porque favorece a segurança energética do país, além de reduzir a necessidade de importação de gasolina.

Além disso, acrescenta a Unica, não há evidências, nos resultados obtidos, de impactos sobre desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo, emissões ou funcionamento dos veículos em decorrência da adoção do E32.

A entidade lembra que o E32 foi avaliado em estudos coordenados pelo Ministério de Minas e Energia e realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia. Os testes foram feitos em veículos leves e motocicletas movidos a gasolina, fabricados entre 1994 e 2024.

Mesmo os veículos mais antigos avaliados não apresentaram impactos em partida, marcha lenta, aceleração ou dirigibilidade com a utilização do E32, acrescentou ao destacar que não foram identificados impactos relevantes em desempenho, consumo, dirigibilidade, partidas a frio ou funcionamento dos motores.

Além dos aspectos técnicos, a entidade sustenta que o aumento da participação do etanol pode beneficiar os consumidores ao reduzir a dependência de gasolina importada.

A estimativa é que o país deixe de importar cerca de 800 milhões de litros de gasolina por ano. Segundo a Unica, sem a presença do etanol no mercado nacional, o custo dos combustíveis teria aumentado em R$ 8 bilhões apenas nos últimos três meses.

Mais de 40% das indústrias migraram para o mercado livre de energia em 2 anos, aponta CNI

Pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 41% das indústrias brasileiras migraram para o mercado livre de energia desde 2024, quando entrou em vigor a norma do Ministério de Minas e Energia (MME) que ampliou o acesso dos consumidores ao ambiente de livre contratação. De acordo com os dados, 73% dos empresários que trocaram o mercado cativo pelo livre notaram redução dos custos com as tarifas de energia elétrica.

A Sondagem Especial Indústria e Energia 2026, divulgada nesta quinta-feira (30) pela CNI, revela que 30% das empresas consideram a migração para o mercado livre como a principal estratégia para reduzir o custo da conta de luz. Os dados apontam ainda que, em meio a um cenário de oscilações no setor elétrico impulsionado pela alta demanda global e por conflitos geopolíticos, o interesse das empresas pelo mercado livre de energia aumentou.

Apesar desse avanço, ainda há grande potencial para expansão desse mercado. Entre as empresas atendidas em baixa tensão que permanecem no mercado cativo, 37% demonstram interesse em migrar para o mercado livre. Os dados reforçam que a abertura gradual do setor tende a ampliar a competitividade das indústrias.

A pesquisa revela que, entre as grandes indústrias atendidas em alta tensão, 63% já compram energia no mercado livre. Entre as pequenas empresas, 22% informam atuar nesse ambiente de contratação, enquanto 45% permanecem no mercado cativo.

Os dados indicam também que 79% das indústrias utilizam a energia elétrica como principal insumo energético em seus processos produtivos. O custo da energia é apontado pelos industriais como um dos principais desafios do setor.

Confira a pesquisa: https://static.portaldaindustria.com.br/portaldaindustria/noticias/media/filer_public/43/8d/438d1f97-f43e-435f-83e2-f0a4118f1646/sondagem_cni_industria_e_energia_2026.pdf

Sondagem CNI Indústria e Energia 2026.pdf(6,1 MB)
“A pesquisa mostra a importância do custo da energia para a competitividade da indústria e que o caminho escolhido pelas empresas para diminuir as tarifas passa pela migração ao mercado livre”, destaca o gerente de Energia da CNI, Roberto Wagner Pereira.

“Além disso, precisamos melhorar o sinal de preços com a adoção de tarifas dinâmicas, que possam variar de acordo com a geração, o horário e a demanda dos consumidores. Associado a isso é imprescindível revisarmos a grande quantidade de subsídios que encarecem a conta de energia”, acrescenta o gerente da CNI.

83% das empresas dizem que custo da energia é importante para a competitividade
Segundo a sondagem, 62% dos industriais indicaram que houve algum impacto da variação dos preços de energia elétrica nos últimos 12 meses. Para 83% deles, a conta de luz é um fator imprescindível para a competitividade. Outros 67% consideram que o aumento das tarifas impacta diretamente os custos de produção.

O aumento da conta de luz foi apontado por 3% das empresas como alto (acima de 30% de reajuste). Para 20%, o impacto foi considerado médio (acima de 10% de aumento), enquanto para 39%, o impacto foi considerado baixo (abaixo de 10% de aumento).

Quase duas em cada três empresas (64%) investiram em alguma forma de economizar energia ou na diminuição dos custos tarifários. A principal opção apontada foi a migração para o mercado livre, apontada por 30% das indústrias.

Investimentos em autogeração e eficiência energética
Já os investimentos em autogeração e ações de eficiência energética foram elencados como alternativas para 13% das empresas respondentes. Outros 28% não tomaram nenhuma medida para otimização energética de seus processos produtivos.

O setor de produtos de borracha foi o que mais investiu na opção de autogeração (25% das empresas) e na migração para o mercado livre (38% das empresas). O setor que mais migrou para o mercado livre foi o calçadista (47% das empresas). O setor de equipamentos de informática e produtos eletrônicos, por sua vez, foi o que mais investiu em eficiência energética (25% das empresas).

A Sondagem Especial Indústria e Energia foi realizada em abril pela CNI, junto a 1.498 indústrias dos setores extrativo e de transformação, sendo 601 pequenas, 529 médias e 368 grandes empresas.

Energia cara: quem vai pagar essa conta?

A energia elétrica é o principal insumo da indústria brasileira e um fator decisivo para a competitividade da economia. O Brasil reúne condições privilegiadas: tem uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, com mais de 85% da geração proveniente de fontes renováveis, e vem ampliando rapidamente a participação da energia solar e eólica. Ainda assim, convivemos com um paradoxo difícil de justificar. Produzimos energia a baixo custo, mas pagamos uma das tarifas mais altas do mundo.

A principal explicação para essa distorção não está no custo de geração, transmissão ou distribuição, mas no crescimento contínuo dos encargos setoriais, subsídios e tributos embutidos na conta de luz. Hoje, cerca de 40% da tarifa corresponde a impostos e encargos setoriais, percentual que compromete a competitividade da indústria, reduz investimentos e encarece a produção nacional. A Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), principal mecanismo de financiamento de subsídios do setor, ilustra essa escalada: seu orçamento passou de R$ 14 bilhões em 2013 para mais de R$ 52 bilhões previstos para 2026.

O Brasil segue um caminho que vai na contramão da racionalidade e do razoável. Ao longo dos anos, diferentes políticas públicas foram incorporadas à tarifa de energia por meio de encargos criados, muitas vezes, com objetivos legítimos. O problema é que esses mecanismos se acumularam sem revisões periódicas, transformando-se em um conjunto de subsídios permanentes que pesa sobre consumidores e empresas. Criar encargos tornou-se politicamente mais fácil do que financiá-los pelo orçamento público, reduzindo a transparência e perpetuando distorções econômicas.

A facilidade política para criar encargos contrasta com a enorme dificuldade para sua revisão ou eliminação. Essa é a razão pela qual se prefere garantir subsídios via encargos, que não passam pelo escrutínio político na análise do orçamento público, em detrimento do uso de recursos orçamentários. Assim, os encargos setoriais acabam financiando políticas e subsídios que tendem a se perpetuar, mesmo quando perdem a eficiência econômica.

A redução desse peso sobre a conta de luz é uma das principais propostas da indústria brasileira para o próximo mandato presidencial. Este tópico está destacado como a prioridade no documento que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) entregou aos pré-candidatos à Presidência da República, em evento realizado em junho.

No fim do século passado, nosso sistema elétrico era considerado um dos mais eficientes do mundo. Os grandes reservatórios hidrelétricos e um sistema interligado por uma ampla rede de transmissão garantiam a segurança e o baixo custo da eletricidade. Essa situação representava uma importante vantagem competitiva para a economia brasileira e para a indústria.

Infelizmente, esse tempo passou. A energia elétrica, agora, é cara. O recente histórico de intervenções no setor aliado às questões de gestão e de planejamento desestabilizaram o modelo, gerando complexidade, judicialização e enormes passivos financeiros. 

O PL 5017/2019 foi aprovado recentemente na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado Federal, determinando a criação de mais subsídios e contratações compulsórias de geração que novamente irão aumentar a tarifa de energia, sem que critérios técnicos ou econômicos sejam considerados. 

O novo texto aprovado na Comissão de Serviços de Infraestrutura pegou o setor elétrico de surpresa. Estimativas da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia apontam que o custo acumulado com esses novos penduricalhos da conta de luz chegará a R$ 1,5 trilhão no acumulado na conta de luz até 2057, caso o Congresso Nacional aprove o projeto que prevê a contratação obrigatória de termelétricas a gás e pequenas hidrelétricas, entre outros dispositivos.

Trata-se de um caminho incompatível com a necessidade urgente de reduzir o Custo Brasil. A indústria é o setor da economia mais sensível ao preço dos insumos energéticos, devido à elevada participação da energia no custo total de produção. A racionalização dos encargos, a redução gradual de subsídios que já não se justificam, o aperfeiçoamento da formação de preços e a ampliação da concorrência devem integrar uma agenda consistente de reformas.

O Brasil não pode desperdiçar a vantagem de ter uma das matrizes elétricas mais renováveis e competitivas do planeta. A energia precisa voltar a ser um diferencial para impulsionar a indústria, atrair investimentos e acelerar o crescimento econômico. Isso exige coragem para enfrentar privilégios, revisar subsídios e construir um setor elétrico mais transparente, eficiente e sustentável. Reduzir os penduricalhos da conta de luz não é apenas uma necessidade para os consumidores, mas uma condição indispensável para devolver competitividade à economia brasileira.

*Ricardo Alban é empresário e presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O artigo foi publicado na Folha de S. Paulo, no dia 30 de julho de 2026.

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