terça, 09 de agosto de 2022
07/07/2021

A verba das BRs e o abuso contra SC


por Vinícius Lummertz


 

Santa Catarina historicamente é um Estado que nunca teve a devida retribuição da União a toda imprescindível contribuição que deu ao desenvolvimento nacional. Praticamente, "nos criamos sozinhos", construímos o que chamo de economia autóctone, ou seja, formulada e desenvolvida aqui mesmo sob os auspícios da inteligência, da força de trabalho e persistência dos catarinenses. Hoje somos um Estado diferenciado, referência no país e no mundo. Se por um lado isso é altamente meritório, por outro temos que reconhecer que, a não ser por raros períodos, nunca conseguimos ter e exercer uma força política em Brasília que nos proporcionasse as mesmas condições de outros estados brasileiros - e escrevo isso sem qualquer caráter discriminatório. É a mais pura realidade. 

Faço este raciocínio para poder analisar a autorização dada pela Assembleia Legislativa para o aporte de R$ 350 milhões do Estado em rodovias federais. Assim, a administração Carlos Moisés poderá colocar R$ 200 milhões na duplicação da BR-470, R$ 100 milhões na BR-163 e R$ 50 milhões na BR-280 ainda em 2021. Trocando em miúdos: em vez de receber os devidos recursos da União para nossas rodovias federais, nós vamos tirar esse dinheiro dos cofres do Estado para cumprir o papel do Governo Federal.

Já de antemão, antes que seja crucificado, quero dizer que não sou contra essa iniciativa. Ao conversar com nossas lideranças empresariais e políticas, prefeitos e vereadores, compreendi que esta é, infelizmente, a única maneira de dar andamento a obras que, se não forem continuadas, podem condenar o Estado a uma paralisia de transportes e logística. 

Mas me vejo, como catarinense, na obrigação de fazer um alerta: esta é a primeira vez - e que seja a última - que temos que sacar do próprio bolso para dar conta da obrigação constitucional que é do Governo Federal. Vou mais longe: é uma enorme injustiça para com SC e vou explicar porquê. Os números que apresentarei a seguir me foram cedidos muito gentilmente pela Gerência de Transportes e Logística da Fiesc, à qual agradeço.

É injusto, em primeiro lugar, porque tivemos o maior corte no orçamento deste ano para estradas federais. Vamos aos números: BR-470, entre Navegantes e Rio do Sul, corte de 50% (de R$ 111 para R$ 56 milhões); BR-280, entre São Francisco do Sul e Jaraguá do Sul, corte de 42% (de R$ 104 para R$ 60 milhões); BR-285, entre Timbé do Sul e Divisa SC/RS, corte de 100% (R$ 20 milhões, sendo que faltam menos de 2kms para a conclusão); BR-163, entre São Miguel do Oeste e a Divisa SC/PR, corte de 47% (de R$ 28 para R$ 15 milhões); BR-163/PR/SC, entre Guaíra (PR) e Itapiranga, corte de 100% (R$ 3 milhões); e a única que não teve corte foi a BR-282, entre Florianópolis e São Miguel do Oeste, que ficou com R$ 3 milhões.

Em segundo lugar, é injusto porque SC é o Estado brasileiro que tem menos retorno em recursos federais com relação ao que arrecada para a União - só fica abaixo do Rio de Janeiro (que tem os royalties do petróleo) e de São Paulo. Em 2020, essa injustiça chegou a ser absurda: arrecadamos R$ 69,7 bilhões para o Governo Federal, mas só recebemos dele R$ 7,4 bilhões. Para se ter uma ideia, a Bahia, que ocupa o 8º lugar no ranking dos maiores PIBs do Brasil (SC é o 6º), arrecada menos da metade (R$ 33 bilhões) do que Santa Catarina, mas recebe 60% a mais do que recebemos. 

Discriminar Santa Catarina não é algo que se possa atribuir ao atual Governo Federal - é uma sina que vem de décadas. Porém, deste Governo, em especial - que recebeu aqui uma das maiores votações proporcionais do país em 2018 - esperava-se uma retribuição à altura. 

Viagens de férias, motociatas e visitas do presidente e ministros sem nada a oferecer, mais nos frustram do que nos lisonjeiam. Afinal, estamos pagando a conta em dobro.

 

Vinícius Lummertz, catarinense e secretário de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo



Blog

Países do ‘BRICS’ debatem como alavancar qualificação para indústria 4.0

A qualificação de profissionais para ocupações cada vez mais tecnológicas é foco dos trabalhos de um grupo de especialistas do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o chamado BRICS. A participação brasileira é liderada pela Confederação Nacional da Indústria, por meio do SENAI, a partir de indicação dos ministérios da Casa Civil e da Educação. O objetivo é criar estratégias para promover a capacitação padronizada entre os países.

“Somos reconhecidos por aliar a teoria e a prática. As discussões que estão em curso no grupo formado pelos países do BRICS vêm sendo amplamente abordadas em nossas formações. Não é uma agenda apenas de entidades privadas, ela exige políticas públicas mais robustas, com respaldo técnico e competência para guiar os debates”, destaca o diretor-regional do SENAI, Fabrizio Machado Pereira.

São oito grupos de trabalho, sendo um deles voltado para as áreas de inteligência artificial, machine learning e big data, coordenado pelo professor Valério Junior Piana, do Centro Universitário do SENAI em Chapecó. “Os grupos debatem temas como a falta de profissionais qualificados para atuar com as tecnologias da indústria 4.0 e as habilidades fundamentais para o futuro do trabalho, não apenas na indústria, mas também em outras áreas”, afirma Piana. “Estamos focando nas ocupações mais tecnológicas e o que fazer diante da falta de profissionais”, acrescenta.

Piana, que no SENAI coordena os cursos de graduação e pós-graduação em TI, cita, principalmente, a falta de profissionais qualificados na área de tecnologia para atuar com programação, automação e outros setores. O grupo de trabalho do BRICS atua com base no relatório do Fórum Econômico Mundial, que elenca habilidades que as pessoas precisam ter ou desenvolver, como criatividade, solução de problemas complexos, trabalho em equipe, entre outras, incluindo as habilidades e conhecimentos técnicos.

O grupo está elaborando uma proposta de esforço conjunto dos países para capacitar a força de trabalho. “Algumas alternativas que estamos sugerindo são a implementação de laboratórios-modelo, equipados para desenvolver as capacidades necessárias para o mundo do trabalho, e cursos de graduação e pós-graduação com currículos padronizados entre os países”, relata Piana.

O SENAI é referência mundial em qualidade de ensino. Capacita os trabalhadores da indústria por meio de educação profissional e superior, consultorias especializadas e serviços de inovação voltados ao desenvolvimento e à competitividade industrial. A instituição está presente em todos os estados brasileiros.

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