sexta, 12 de agosto de 2022
10/03/2021

ALADI é destino de 25% das vendas de produtos industriais do Brasil


A Associação Latino-Americana de Integração (ALADI) é destino de 25% das vendas de produtos industriais do Brasil, mas há o desafio de ampliar os acordos comerciais, disse o diretor da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Abijaodi. “O Brasil possui acordos comerciais com praticamente todos os países da ALADI, exceto Panamá. Mas, ao mesmo tempo, há muita coisa para ser construída. Os acordos se concentraram muito em tarifas e no comércio de bens, atualmente têm uma extensão maior. Podemos incluir serviços, investimentos e compras governamentais. Isso vai revigorar nossa economia e trazer oportunidades em outros campos que não sejam só o das tarifas”, explicou ele, durante live, nesta terça-feira, dia 9, que debateu o futuro da Associação, que completou 40 anos em 2020. O evento foi uma iniciativa conjunta da FIESC, FIERGS e FIEP. Integram a ALADI a Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela, Cuba e Panamá.

Abijaodi informou que 80% do valor exportado pelo Brasil para países da ALADI se beneficiam de preferências tarifárias. “É um grande destino das vendas brasileiras e de produtos industriais. A integração que temos hoje com a ALADI é muito importante para o Brasil. Não resta dúvida. Há um estímulo cada vez maior para os países e regiões celebrarem acordos comerciais. O que temos é uma possibilidade muito grande de termos uma comunicação mais próxima com os nossos vizinhos que representam tanto para nós em termos de comércio e nas relações internacionais”, declarou.

O secretário-geral da ALADI, Sérgio Abreu, destacou que as micro, pequenas e médias empresas representam de 85% a 90% da estrutura produtiva dos países da ALADI. “Elas estão sentindo a pressão da situação comercial e do novo panorama da economia internacional. Nosso desafio é a abertura e a inclusão de novas agendas e a dinamização das micros, pequenas e médias, que são a base social e de estabilidade política dos países. Temos que dar a elas a possibilidade de digitalizar-se, exportar, importar. Sem comércio não há emprego e sem emprego há desestabilização social”, afirmou. Ele também chamou a atenção para o crescimento da importância da China no cenário internacional e que isso deve ser observado pelas companhias. 

A presidente da Câmara de Comércio Exterior da FIESC, Maria Teresa Bustamante, também chamou a atenção para a importância de conhecer o poder que tem a China e a Ásia. “Não tem como fazer planejamento e políticas que não contemplam a aproximação com a China”, salientou. Ela também observou que é preciso olhar para a integração regional. “Precisamos encontrar propostas e soluções que nos aproximem cada vez mais disso. Somos países fronteiriços e isso já é uma imposição obrigatória do ponto de vista social, político, econômico e financeiro. Então, a integração fronteiriça é o ponto de partida para qualquer decisão”, explicou. 
Claudia Schittini, da área internacional da FIEP, destacou o trabalho que vem sendo feito pelas federações de indústrias para auxiliar principalmente as pequenas empresas na área de comércio exterior. “Temos um papel de identificar as oportunidades e necessidades”, afirmou.

“A ALADI é extremamente importante. É um bloco econômico que está entre os maiores do mundo, com uma população de 575 milhões de pessoas. Então é preciso considerar os fatores macro da ALADI para fins de avaliação do processo de integração da nossa região”, frisou Luciano D’Andrea, da área internacional da FIERGS.
 
O que é a ALADI: A ALADI foi instituída pelo Tratado de Montevidéu de 1980, assinado originariamente em 12 de agosto de 1980 pelos governos de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela e, posteriormente, por Cuba (1999) e Panamá (2012). Juntos, os países da ALADI abrangem uma superfície de 20 milhões de km².

A Associação promove a criação de uma área de preferências econômicas na região, objetivando um mercado comum latino-americano, através de três mecanismos: preferência tarifária regional, aplicada a produtos originários dos países-membros frente às tarifas em vigor para terceiros países; acordos de alcance regional (comuns a todos os países-membros) e acordos de alcance parcial, com a participação de dois ou mais países da área. 

Com informações da ALADI



Blog

Países do ‘BRICS’ debatem como alavancar qualificação para indústria 4.0

A qualificação de profissionais para ocupações cada vez mais tecnológicas é foco dos trabalhos de um grupo de especialistas do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o chamado BRICS. A participação brasileira é liderada pela Confederação Nacional da Indústria, por meio do SENAI, a partir de indicação dos ministérios da Casa Civil e da Educação. O objetivo é criar estratégias para promover a capacitação padronizada entre os países.

“Somos reconhecidos por aliar a teoria e a prática. As discussões que estão em curso no grupo formado pelos países do BRICS vêm sendo amplamente abordadas em nossas formações. Não é uma agenda apenas de entidades privadas, ela exige políticas públicas mais robustas, com respaldo técnico e competência para guiar os debates”, destaca o diretor-regional do SENAI, Fabrizio Machado Pereira.

São oito grupos de trabalho, sendo um deles voltado para as áreas de inteligência artificial, machine learning e big data, coordenado pelo professor Valério Junior Piana, do Centro Universitário do SENAI em Chapecó. “Os grupos debatem temas como a falta de profissionais qualificados para atuar com as tecnologias da indústria 4.0 e as habilidades fundamentais para o futuro do trabalho, não apenas na indústria, mas também em outras áreas”, afirma Piana. “Estamos focando nas ocupações mais tecnológicas e o que fazer diante da falta de profissionais”, acrescenta.

Piana, que no SENAI coordena os cursos de graduação e pós-graduação em TI, cita, principalmente, a falta de profissionais qualificados na área de tecnologia para atuar com programação, automação e outros setores. O grupo de trabalho do BRICS atua com base no relatório do Fórum Econômico Mundial, que elenca habilidades que as pessoas precisam ter ou desenvolver, como criatividade, solução de problemas complexos, trabalho em equipe, entre outras, incluindo as habilidades e conhecimentos técnicos.

O grupo está elaborando uma proposta de esforço conjunto dos países para capacitar a força de trabalho. “Algumas alternativas que estamos sugerindo são a implementação de laboratórios-modelo, equipados para desenvolver as capacidades necessárias para o mundo do trabalho, e cursos de graduação e pós-graduação com currículos padronizados entre os países”, relata Piana.

O SENAI é referência mundial em qualidade de ensino. Capacita os trabalhadores da indústria por meio de educação profissional e superior, consultorias especializadas e serviços de inovação voltados ao desenvolvimento e à competitividade industrial. A instituição está presente em todos os estados brasileiros.

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