segunda, 08 de agosto de 2022
09/03/2021

Atividade portuária tem presença cada vez maior de mulheres


Apesar de ser um mercado predominantemente masculino, a atividade portuária vem ganhando mais adeptas mulheres, com um número cada vez maior de profissionais do sexo feminino atuando em diversas áreas, não apenas no setor administrativo como também técnico e operacional. Atualmente, 79 mulheres integram o quadro de colaboradores da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), nas mais variadas funções. Nas instalações portuárias propriamente ditas, a força de trabalho feminina ainda é pequena, mas não menos significativa: o Porto de Paranaguá conta com duas mulheres conferentes de carga, em um universo de 1,8 mil homens.

 

Já no Ogmo Paranaguá - Órgão de Gestão de Mão de Obra do Trabalho Portuário do Porto de Paranaguá, são 15 mulheres exercendo atividades cruciais para o bom funcionamento do maior porto graneleiro da América Latina, o que corresponde a 35% do total de cargos. Dos 11 cargos de chefia do Ogmo Paranaguá, quatro são ocupados por mulheres, um total de 36% de liderança feminina. O Conselho de Diretores da entidade também ganhou, pela primeira vez na história, representatividade feminina, com a participação da Gerente de RH e Qualidade da TCP Terminal de Contêineres de Paranaguá, Thais Marques.

 

Marggie Morita, 55 anos, é uma dessas mulheres. Há 26 anos à frente do setor de Tecnologia da Informação do Ogmo Paranaguá, Marggie é também pioneira em sua área de atuação, a Programação, nicho da Informática onde, até nos dias de hoje, é difícil encontrar mulheres em posições de comando. Apesar de ser uma entre poucas, Marggie diz nunca ter se sentido vítima de preconceito no trabalho por ser mulher, mas reconhece que a presença feminina na área de TI, especialmente de Programação, poderia ser bem maior.  “Acredito que o maior desafio para a mulher profissional de qualquer área é encontrar o equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal. Muitas vezes, nossas maiores conquistas profissionais acontecem ao mesmo tempo que nossos desafios pessoais mais difíceis. É um dilema diário, que só conseguimos vencer com a ajuda de uma rede de apoio”, analisa.

 

Há cinco anos, a assistente operacional Jamile Gomes Nunes, 31, encarou o desafio de ser a primeira mulher transferida da área administrativa do Ogmo Paranaguá para atuar diretamente no porto. “Eu sequer conhecia um navio e não era algo que eu havia escolhido para aquele momento, mas nós, mulheres, não fugimos de nada, não é mesmo?”, brinca a jovem, que se apaixonou pelo ambiente da faixa portuária e hoje é responsável por realizar a escala de trabalho dos TPAs (trabalhadores portuários avulsos), fiscalizar as presenças e ocorrências e também atender os OPs (operadores portuários).

 

Mas nem tudo foram flores. A cultura masculina enraizada no ambiente portuário foi um desafio a ser vencido por Jamile, com muita paciência e empatia. “No início, foi bem difícil, pois os trabalhadores não aceitavam ser coordenados por nós, mulheres. A cultura que eles tinham de um ambiente onde só existiam homens foi mudando somente com o tempo, no dia-a-dia mesmo”, conta a assistente operacional.

 

A engenheira de segurança do trabalho Karla Alves Santos, 32 anos, concorda com a colega Jamile. Atuando diariamente no planejamento de ações de prevenção a acidentes e doenças do trabalho, Karla revela que a maior diferença sentida em sua rotina profissional pelo fato de ser mulher está na aceitação dos homens a uma liderança feminina. “Como mulher em uma posição de liderança, eu percebo que não conquisto o reconhecimento de forma automática. Preciso sempre provar minha competência antes de conquistar o respeito. Pela minha experiência, comparo que quando um homem é colocado como líder, ele já inicia no cargo com a confiança pré estabelecida, e pode perdê-la, dependendo das suas ações na equipe. Para a mulher, o processo é sempre o contrário, especialmente se a equipe é composta majoritariamente por homens”, explica a engenheira, que aposta no diálogo como forma de transpor essas barreiras. 

 

Diretora executiva do Ogmo Paranaguá, a advogada Shana Carolina Bertol, 40 anos,  lida diretamente com a gestão de pessoas e a resolução de conflitos relacionados ao trabalho portuário, funções que, como muitas mulheres, ela concilia com os papéis de mãe, esposa e filha. Para ela, independente do gênero, o respeito é alcançado com muito esforço, dedicação e estudo. Shana comemora o incremento cada vez mais sólido da participação feminina no setor portuário, especialmente em cargos de gestão e no cais do porto, mas destaca: “ainda temos muito espaço a ocupar”.

 

A diretora executiva ressalta a importância do Dia Internacional da Mullher como uma data de reconhecimento às mulheres que lutaram para que hoje todas possamos votar, estudar e trabalhar. Uma batalha que ainda é diária e que Shana não enfrenta sozinha. “As mulheres ainda são minoria nos cargos de liderança e chefia, muito embora tenham uma qualificação igual ou superior à dos homens. Assim como ainda não alcançamos a paridade salarial ao ocupar os mesmos cargos. Temos que continuar unidas e praticar a sororidade, pois ainda estamos longe de alcançar a equidade de gênero e só conseguiremos juntas”, conclui. 

 

Ogmo Paranaguá

 

Responsável por conectar os operadores portuários aos trabalhadores, o Ogmo Paranaguá - Órgão de Gestão de Mão de Obra do Trabalho Portuário do Porto de Paranaguá, entidade civil sem fins lucrativos, atua há 26 anos na administração do fornecimento de mão de obra avulsa aos trabalhadores portuários do Porto de Paranaguá, no litoral paranaense. Atualmente, o órgão gerencia cerca de 3 mil trabalhadores, representados por seis sindicatos laborais que atendem 28 operadores portuários, ofertando 274 mil oportunidades de trabalho no ano de 2020.  

 

Com o propósito de apoiar o desenvolvimento do porto com qualidade e segurança, garantindo as melhores práticas tanto para os Operadores Portuários (OPs) quanto para os Trabalhadores Portuários e Avulsos (TPAs), o órgão busca a melhoria contínua da gestão de mão de obra e investe com frequência na modernização e inovação constantes de seus serviços, como a criação de ferramentas que facilitam o acesso dos TPAs às ofertas de trabalho a partir de critérios técnicos e de forma igualitária.

 

 



Blog

Países do ‘BRICS’ debatem como alavancar qualificação para indústria 4.0

A qualificação de profissionais para ocupações cada vez mais tecnológicas é foco dos trabalhos de um grupo de especialistas do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o chamado BRICS. A participação brasileira é liderada pela Confederação Nacional da Indústria, por meio do SENAI, a partir de indicação dos ministérios da Casa Civil e da Educação. O objetivo é criar estratégias para promover a capacitação padronizada entre os países.

“Somos reconhecidos por aliar a teoria e a prática. As discussões que estão em curso no grupo formado pelos países do BRICS vêm sendo amplamente abordadas em nossas formações. Não é uma agenda apenas de entidades privadas, ela exige políticas públicas mais robustas, com respaldo técnico e competência para guiar os debates”, destaca o diretor-regional do SENAI, Fabrizio Machado Pereira.

São oito grupos de trabalho, sendo um deles voltado para as áreas de inteligência artificial, machine learning e big data, coordenado pelo professor Valério Junior Piana, do Centro Universitário do SENAI em Chapecó. “Os grupos debatem temas como a falta de profissionais qualificados para atuar com as tecnologias da indústria 4.0 e as habilidades fundamentais para o futuro do trabalho, não apenas na indústria, mas também em outras áreas”, afirma Piana. “Estamos focando nas ocupações mais tecnológicas e o que fazer diante da falta de profissionais”, acrescenta.

Piana, que no SENAI coordena os cursos de graduação e pós-graduação em TI, cita, principalmente, a falta de profissionais qualificados na área de tecnologia para atuar com programação, automação e outros setores. O grupo de trabalho do BRICS atua com base no relatório do Fórum Econômico Mundial, que elenca habilidades que as pessoas precisam ter ou desenvolver, como criatividade, solução de problemas complexos, trabalho em equipe, entre outras, incluindo as habilidades e conhecimentos técnicos.

O grupo está elaborando uma proposta de esforço conjunto dos países para capacitar a força de trabalho. “Algumas alternativas que estamos sugerindo são a implementação de laboratórios-modelo, equipados para desenvolver as capacidades necessárias para o mundo do trabalho, e cursos de graduação e pós-graduação com currículos padronizados entre os países”, relata Piana.

O SENAI é referência mundial em qualidade de ensino. Capacita os trabalhadores da indústria por meio de educação profissional e superior, consultorias especializadas e serviços de inovação voltados ao desenvolvimento e à competitividade industrial. A instituição está presente em todos os estados brasileiros.

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