A retomada de investimentos nos setores naval, offshore e de petróleo e gás no Brasil vem movimentando uma cadeia de fornecedores que atua nos bastidores dessas operações. Em 2025, o Fundo da Marinha Mercante (FMM) destinou R$ 3,85 bilhões ao setor naval e aquaviário, mais que o dobro do valor registrado em 2024. Ao longo do ano, o fundo aprovou R$ 32,1 bilhões em projetos, incluindo construção, modernização e reparo de embarcações e infraestrutura portuária.
O movimento também é acompanhado pelo crescimento da atividade de petróleo e gás. Segundo dados consolidados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção brasileira de petróleo chegou a uma média de 3,8 milhões de barris por dia em 2025, alta de 12% sobre 2024.
A produção de gás natural, por sua vez, cresceu 16,7% e alcançou 179,2 milhões de metros cúbicos por dia. Cerca de 80% do petróleo produzido no país veio do pré-sal, enquanto 78,2% da produção de gás natural teve origem nessa mesma camada.
A expansão da atividade aumenta também a necessidade de tecnologias capazes de garantir o funcionamento contínuo de sistemas críticos. Entre elas estão as soluções de compressão de ar e gases, utilizadas em aplicações que vão desde a partida de motores marítimos até sistemas offshore, armazenamento e geração de gases e processos industriais. Em ambientes nos quais espaço, segurança, pressão e disponibilidade operacional são fatores determinantes, os equipamentos precisam ser projetados para condições específicas de operação.
Um exemplo dessa especialização é a Sauer Compressors, fabricante alemã de sistemas de compressão com mais de 140 anos de experiência. A companhia possui mais de 200 mil compressores instalados e está presente em mais de 85 países, atendendo segmentos como shipping, offshore, indústria, energia e defesa.
No setor naval, os equipamentos da empresa são utilizados em sistemas de ar de partida de motores marítimos, enquanto no segmento offshore estão presentes em aplicações como sistemas de compensação de movimento. A fabricante também desenvolve soluções para compressão de gases especiais, incluindo hélio, hidrogênio, biometano, oxigênio e nitrogênio.
A atuação em aplicações de alta exigência também inclui o setor de defesa. Os equipamentos da Sauer são utilizados por mais de 55 marinhas ao redor do mundo, em projetos nos quais confiabilidade, disponibilidade e adequação às condições específicas de operação são requisitos fundamentais. Além disso, a fábrica – localizada no bairro da Penha, no Rio de Janeiro – atende a demais mercados na América do Sul.
Diferenciais tecnológicos
Entre as tecnologias desenvolvidas pela companhia estão os compressores de alta pressão de funcionamento a seco e isentos de óleo. Ao eliminar a utilização de lubrificantes no interior do equipamento, a solução evita a contaminação do gás comprimido e pode atender aplicações nas quais a pureza do gás é um requisito relevante.
Outro diferencial está na possibilidade de customização dos sistemas. Os equipamentos podem trabalhar em faixas de pressão de 1 a 450 bar(a), enquanto características como vazão, tipo de gás, espaço disponível e ambiente de operação são consideradas na configuração de cada projeto.
Participação ativa e estratégica
No Brasil, a Sauer Compressors atua por meio de uma subsidiária própria, responsável por engenharia, assistência técnica, logística, área comercial e serviços especializados. A estrutura também conta com estoque local de peças, manutenção preventiva, retrofit e técnicos treinados na Alemanha, permitindo acompanhar os equipamentos ao longo de diferentes etapas de sua vida útil.
Para Sergio Millon, diretor geral da fábrica em território brasileiro, o avanço das operações navais e offshore reforça a necessidade de soluções desenvolvidas de acordo com as características de cada projeto.
"Cada aplicação possui requisitos específicos de pressão, vazão, espaço disponível e ambiente de operação. Por isso, desenvolvemos soluções de compressão que consideram todo o ciclo do equipamento, desde a engenharia do projeto até a manutenção em campo", explica.
Mais do que uma etapa isolada do processo industrial, a compressão passa a ocupar um papel estratégico em operações nas quais uma falha pode representar interrupções, riscos operacionais ou perda de eficiência. Nesse contexto, a combinação entre engenharia, confiabilidade e capacidade de adaptação tende a ganhar importância à medida que novas embarcações, unidades offshore e projetos industriais entram em operação.
Mais informações em https://sauerbrasil.com.br/