terça, 11 de agosto de 2026
11/08/2026 07:00

Santa Catarina lidera participação feminina no emprego industrial no Brasil

Estado tem 33,65% dos vínculos industriais ocupados por mulheres, acima da média nacional de 25,79%; avanço também aparece em áreas como engenharia, ocupações técnicas e cargos de direção e gerência

Santa Catarina é o estado que mais emprega mulheres na indústria. Em 2025, as mulheres representaram 33,65% da força de trabalho na indústria catarinense, o equivalente a 314.740 postos de trabalho. O índice é superior à média nacional, de 25,79%.

Análise do Observatório FIESC indica que o avanço não ocorre apenas em setores tradicionalmente associados à presença feminina, como o têxtil e o alimentício. Nos últimos anos, as mulheres também ampliaram sua participação em áreas técnicas, de engenharia e de gestão, tradicionalmente mais masculinas na indústria. Entre 2022 e 2025, o número de mulheres em cargos de direção e gerência cresceu 13,2%, passando de 7.256 para 8.216 vínculos. No mesmo período, a participação feminina nessas ocupações subiu de 34,69% para 36,83%.

“Santa Catarina tem uma indústria que está à frente da média brasileira também na participação das mulheres. Esse resultado mostra que o setor industrial catarinense vem ampliando oportunidades e aproveitando cada vez mais a qualificação feminina. Ainda temos desafios pela frente, mas estar acima da média nacional demonstra que o Estado está avançando na direção de uma indústria mais diversa e competitiva”, afirma o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), Gilberto Seleme.

Mulheres na engenharia 
A presença feminina também cresceu entre engenheiros, arquitetos e profissionais de áreas relacionadas. O número de vínculos ocupados por mulheres nessas profissões aumentou 13%, entre 2022 e 2025. A participação feminina passou de 22,70% para 24,49% no período.

Entre os técnicos de nível médio em ciências físicas, químicas e engenharia, o número de mulheres avançou 8,2%, com a participação feminina passando de 16,38% para 16,79% entre 2022 e 2025.

Para Vanessa Wohlgemuth, gerente executiva de Desenvolvimento Industrial e Performance de Operações da FIESC, os dados mostram uma mudança importante no perfil da inserção feminina na indústria. “O avanço em engenharia, nas ocupações técnicas e, principalmente, em direção e gerência mostra que as mulheres estão ampliando sua presença em espaços estratégicos da indústria."

Diversificação

A expansão do emprego feminino também ocorreu em diferentes segmentos industriais. Entre 2022 e 2025, houve ganho líquido de 12.094 vínculos femininos na indústria catarinense. Os maiores aumentos foram registrados em alimentos, com 5.413 novos vínculos; borracha e plástico, com 3.641; máquinas, aparelhos e materiais elétricos, com 2.894; máquinas e equipamentos, com 1.833; e produtos de metal, com 1.383.

Os dados apontam oportunidades de diversificação especialmente na construção e no complexo metalmecânico. A participação feminina é de 8,7% nos serviços especializados para construção, 9,1% nas obras de infraestrutura, 11,8% na construção de edifícios, 12,8% na metalurgia e cerca de 19% a 20% nos segmentos de produtos de metal e máquinas e equipamentos.

Para a indústria, ampliar a presença feminina nesses segmentos representa tanto uma oportunidade de inclusão quanto de enfrentamento aos desafios de disponibilidade de profissionais qualificados, na avaliação da FIESC. Santa Catarina já apresenta uma base importante para esse movimento: as mulheres têm maior proporção de ensino superior completo entre os trabalhadores da indústria catarinense.

"Os dados revelam que existe potencial de crescimento nas ocupações técnicas, por exemplo, onde as mulheres ainda representam menos de um quinto dos vínculos. É uma oportunidade importante para ampliar a formação e a inserção feminina nessas carreiras”, afirma Vanessa.

Para debater as oportunidades e desafios da liderança feminina na indústria, a FIESC organiza nesta terça-feira, 11, o evento Elas Lideram. O encontro reunirá empresárias, executivas e lideranças para discutir temas como competitividade, inovação, diversidade e desenvolvimento de lideranças.




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