quarta, 15 de julho de 2026
15/07/2026 07:00

Juros altos não desestimulam o consumo das famílias, analisa professor da Univali

Leitura do economista relaciona renda, emprego e políticas públicas ao desempenho do indicador da Confederação Nacional do Comércio

O professor de Economia da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), José Osvaldo Coninck, avalia que a intenção de consumo das famílias brasileiras segue resiliente mesmo diante da política monetária restritiva. A análise tem como base os resultados de junho do Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), divulgado mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que registrou crescimento de 0,1% em junho e alta de 3,2% no acumulado de 12 meses, percentual superior à estimativa de crescimento da economia brasileira para 2026, em torno de 2%.
 
Segundo Coninck, a manutenção de juros reais próximos de 9,5% deixaria, em condições normais, um ambiente menos favorável ao consumo. O comportamento do indicador, porém, revela que outros fatores vêm sustentando a disposição das famílias para comprar.
 
“Mesmo com uma política monetária restritiva e juros reais próximos de 9,5%, o consumo das famílias demonstra capacidade de reação. Isso ocorre porque diferentes políticas de manutenção da renda seguem estimulando a demanda – como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, o vale-gás e as transferências sociais –, ao mesmo tempo em que o mercado de trabalho permanece favorável, especialmente no setor de serviços, que é intensivo em trabalho, crescendo por vários trimestres”, afirma o professor de Economia da Univali, José Osvaldo Coninck.
 
Bens duráveis lideram o avanço
Na avaliação do economista, um dos destaques do levantamento é o desempenho dos bens duráveis, como automóveis, televisores, geladeiras, smartphones, computadores e imóveis. O segmento cresce 1,2% em junho e acumula alta de 20,3% em 12 meses. Além da demanda aquecida, os preços permanecem abaixo da inflação. No acumulado de 12 meses encerrados em maio, esses produtos registram variação de 0,78%, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) alcança 4,72%.
 
Para Coninck, essa combinação amplia o interesse do consumidor por compras de maior valor, mesmo em um ambiente de crédito mais caro.
 
Indicador antecedente
O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), elaborado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), é um dos principais indicadores antecedentes do comportamento do consumo no país. O levantamento acompanha mensalmente a percepção das famílias sobre emprego, renda, acesso ao crédito, consumo atual e perspectiva de compras, oferecendo sinais sobre a dinâmica da economia brasileira.



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