O déficit comercial dos Estados Unidos aumentou de forma significativa em maio, impulsionado pelo avanço das importações e pela queda das exportações, segundo dados divulgados pelo governo . O saldo negativo da balança comercial saltou 42,2% em relação a abril, alcançando US$ 77,6 bilhões (cerca de R$ 400 bilhões).
As importações cresceram 3,3%, atingindo US$ 395,3 bilhões (R$ 2,04 trilhões), enquanto as exportações caíram 3,2%, recuando para US$ 317,7 bilhões (R$ 1,64 trilhão). O resultado foi registrado em um período marcado pelos impactos do conflito no Oriente Médio, que alterou os fluxos do comércio internacional e aumentou a demanda por determinados produtos.
Importações sobem e exportações recuam
Entre os produtos que mais contribuíram para o aumento das importações estão bens de consumo, petróleo bruto, insumos industriais, automóveis, peças e equipamentos de informática, segundo o Departamento de Comércio. O avanço dos investimentos em inteligência artificial também impulsionou as compras externas de equipamentos e insumos usados na construção de data centers no país.
Do lado das exportações, as vendas externas de petróleo bruto e derivados aumentaram após os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã no fim de fevereiro. Em contrapartida, produtos como medicamentos registraram queda nas vendas para o exterior.
Déficit aumenta em meio ao “tarifaço” de Trump
O aumento do déficit comercial ocorre em meio à política agressiva de tarifas adotada pelo governo de Donald Trump, que busca encarecer produtos importados, estimular a produção doméstica e reduzir a dependência dos Estados Unidos de fornecedores estrangeiros. Apesar dessas medidas, os dados de maio indicam que o efeito esperado ainda não se concretizou.
Empresas americanas continuaram ampliando as compras no exterior, principalmente de itens considerados essenciais, como equipamentos de tecnologia, petróleo e componentes industriais. Especialistas apontam que parte das companhias pode ter antecipado as importações para estocar mercadorias e evitar possíveis aumentos tarifários no futuro.
A política tarifária americana
A tarifa global mínima atualmente em vigor nos EUA é de 10% sobre a maioria dos produtos importados, embora alguns setores estejam sujeitos a taxas adicionais bem mais altas, como aço, alumínio, automóveis e autopeças. O governo americano também prevê novas tarifas para diversos países — incluindo o Brasil —, em investigações comerciais abertas com base na Seção 301.
Em abril, o saldo negativo da balança comercial americana havia recuado na comparação com março, favorecido justamente pelo aumento das exportações de petróleo e derivados, que haviam atingido o maior volume mensal registrado até então.