segunda, 08 de dezembro de 2025
11/11/2025 10:19

ABRATEC apresenta impugnação à Autoridade Portuária de Santos pedindo anulação de edital que prevê cessão de área estratégica no Porto de Santos

Desvio da área de 260 mil metros quadrados destinada para expansão da capacidade de movimentação de contêineres para criação de condomínio logístico contraria diretamente o Plano de Desenvolvimento e Zoneamento do Porto de Santos, aprovado em 2020

A Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres (ABRATEC) protocolou impugnação contra o Edital de Procedimento Licitatório 01/2025 da Autoridade Portuária de Santos (APS), que prevê a cessão onerosa de uma das últimas áreas públicas de caráter operacional ainda disponíveis na margem direita do Porto de Santos. Segundo a entidade, o redirecionamento do espaço para implantação de um condomínio logístico viola o Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) do Porto, aprovado em 2020.

A iniciativa, na avaliação da ABRATEC, ameaça o futuro operacional do maior porto do país em um momento em que a demanda cresce de forma consistente e já se aproxima do limite da infraestrutura instalada. A impugnação apresentada demonstra que o edital da APS se distancia de critérios essenciais de planejamento e de gestão pública, deixando de observar exigências técnicas, regulatórias e legais. Para Caio Morel, diretor executivo da ABRATEC, a condução do certame impõe riscos graves à lógica de desenvolvimento portuário.

“Uma iniciativa dessa natureza não pode prescindir de critérios técnicos, planejamento e aderência ao marco regulatório. A destinação inadequada de uma área tão estratégica, que representa o equivalente a um terço da área total destinada ao Tecon Santos 10, coloca em risco o futuro do Porto de Santos e prejudica o interesse público. A revisão imediata é indispensável”, afirma. Entre os pontos levantados, a ABRATEC destaca que o edital foi lançado sem apresentação de Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental e a necessária participação social em audiência publica capazes de demonstrar que o empreendimento proposto atende ao interesse público ou que representa a melhor alternativa para o uso da área.

A ausência desses instrumentos impossibilita avaliar impactos operacionais, comparar opções ou justificar a mudança de destinação prevista no planejamento portuário. Também não foram disponibilizados Estudos de Impacto de Tráfego ou de Vizinhança, apesar de o condomínio logístico projetado gerar grande aumento no fluxo de caminhões em uma região já saturada e com acessos terrestres operando no limite. Para a ABRATEC, deixar de analisar os efeitos sobre mobilidade, segurança e dinâmica urbana compromete a transparência e impede que a sociedade compreenda a real dimensão do empreendimento.

A entidade ressalta ainda que a APS deixou de submeter a proposta à validação do Ministério de Portos e Aeroportos e da ANTAQ, etapa obrigatória quando há alteração relevante na destinação de áreas portuárias. Segundo a impugnação, decisões dessa magnitude exigem chancela técnica e regulatória das instâncias federais responsáveis pelo planejamento e pela conformidade do setor. Outro elemento sensível é o prazo exíguo definido pelo edital: apenas 22 dias entre a publicação e a entrega das propostas, apesar de o projeto envolver investimentos estimados em mais de R$ 1 bilhão.

Para a ABRATEC, esse intervalo impede que potenciais interessados realizem análises aprofundadas, modelagens financeiras ou estudos consistentes para formulação de propostas competitivas, o que compromete a isonomia e a integridade do processo licitatório. Ao longo do documento, a ABRATEC demonstra que impedir a expansão da capacidade de contêineres representa um risco direto à competitividade do Brasil no comércio exterior. O PDZ já indicava que, sem novas áreas, o porto tende a enfrentar saturação crescente, o que pode elevar custos logísticos, reduzir a eficiência das operações e comprometer o atendimento às grandes rotas marítimas.

A entidade alerta que redirecionar uma área operacional estratégica para usos incompatíveis com a vocação portuária ameaça a continuidade da expansão necessária, diminui a capacidade de atrair investimentos e enfraquece o papel de Santos como principal hub marítimo do país. Diante dos pontos identificados, a ABRATEC solicita que a Autoridade Portuária de Santos prontamente atue para evitar que o processo avance em desacordo com a legislação, com o planejamento portuário e com o interesse público e reforça que a correta destinação das áreas públicas do Porto de Santos é um elemento central para garantir competitividade, eficiência e sustentabilidade ao comércio exterior brasileiro




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