domingo, 05 de dezembro de 2021
24/06/2020

Ibovespa cai e perde os 95 mil com medo de 2ª onda; Cielo desaba 13%


A bolsa brasileira recuou, nesta quarta quarta-feira, 24, com temores de uma segunda onda de coronavírus, após aumento do número de casos na Europa e nos Estado Unidos. A preocupação dos investidores é a de que novas medidas de isolamento social sejam necessárias e provoquem a desaceleração da recuperação econômica. Às 17h, já em call de fechamento, o Ibovespa, principal índice de ações caía 1,73% e marcava 94.316,36 pontos.

No mercado, os temores de que o isolamento social seja retomado, mesmo que em parte, parece cada vez mais próximo da realidade, agora que países europeus passaram a registrar a intensificação de novos casos. Na Alemanha, um novo surto da doença em uma planta de processamento de carnes, fez com que regiões do países retomassem o lockdown.

“A aceleração de casos na Europa preocupa, porque o mercado já via as aberturas econômicas como sustentáveis. Há um medo generalizado de que isso possa ocorrer em outros lugares”, disse Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos.

Nos Estados Unidos, que iniciaram processos de reabertura sem que alguns estados tivessem atingido o pico da pandemia, o ritmo de infecções também tem aumentado. Na terça-feira, o país teve mais 34.700 infectados confirmados, o terceiro maior número diário desde o início da pandemia, de acordo com a AP. Essa foi a maior quantidade em dois meses. Nos Estados Unidos, já são 2.366.961 infectados e 121.662 mortos pela doença, segundo dados da Universidade Johns Hopkins.

Devido à pandemia, o Fundo Monetário Internacional (FMI) estimou que o PIB mundial deve encolher 4,9% neste ano. As projeções para o Brasil foram ainda piores, com previsão de com contração de 9,1%. A estimativa para o PIB brasileiro é a mesma prevista pela OCDE, em caso de uma segunda onda de coronavírus.

“O FMI botou para baixo a expectativa de recuperação econômica mais forte no segundo semestre. Vai demorar até que o Brasil retome o nível de antes da pandemia, talvez fique para depois de 2022”, disse Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos.

O mercado também repercutiu negativamente a notícia da Bloomberg que afirma que os Estados Unidos pretendem impor tarifas de 3,1 bilhões de dólares sobre produtos de países europeus, como França, Alemanha, Espanha e Reino Unido. Entre os itens que podem passar por aumento de tarifas estão azeitonas, cervejas, gin e até caminhões.

“Toda vez que há tensão comercial entre potências globais se eleva o receio sobre o crescimento global, ainda mais neste ano, que se espera um crescimento bem reduzido”, disse Esteter.

Para Marcel Zambello, analista da Necton Investimentos, a medida pode ter mais cunho político do que econômico. “Esse protecionismo de Trump contra o livre mercado tem um viés mais eleitoral, tendo em vista que ele já está perdendo para os democratas nas prévias. A economia e o nível de emprego é o que deve definir as eleições americanas”, comentou.

Destaques

Na bolsa, o destaque do dia fica com as ações da Cielo, que recuam cerca de 13%, após a decisão do Banco Central e do Cade de suspender pagamentos por meio do aplicativo de conversas Whatsapp. Na semana passada, os papéis da companhia chegaram a disparar mais de 30%, após a parceria com o Facebook para possibilitar esse tipo de serviço.



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