sábado, 23 de outubro de 2021
17/03/2021 16:07

Lideranças do agro debatem soluções imediatas para o abastecimento em SC

Rota do Milho, incentivo à produção de cereais de inverno e combate a pragas são prioridades do Estado

Lideranças das principais entidades do agronegócio de Santa Catarina participaram na terça-feira (16) do Fórum Mais Milho promovido pelo Canal Rural para debater as principais questões que envolvem o setor no Estado. O evento virtual abordou a crescente escassez de milho e as alternativas para solucionar o problema que preocupa toda a cadeia produtiva catarinense.

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC) José Zeferino Pedrozo destacou as adversidades enfrentadas pelos produtores no último ano, principalmente a estiagem e a praga da cigarrinha-do-milho, como principais obstáculos da safra de grãos. O dirigente citou a necessidade de o Estado buscar alternativas para aumentar a produção de milho e não perder o posto de terceiro maior produtor nacional.

“Os dados mostram que na última década Santa Catarina cresceu menos que o Rio Grande do Sul e o Paraná no abate de aves e suínos, impactada, principalmente, pela escassez de milho. Enquanto o Estado aumentou entre 1990 a 2019 o abate anual de suínos em 3,7% ao ano e 2,2% de aves, o Rio Grande do Sul cresceu 5,4% e 2,9%, respectivamente, e o Paraná 6% e 7%. Se não encontrarmos caminhos para melhorarmos o abastecimento de milho no Estado, perderemos nosso posto de terceiro maior produtor. Fazemos um apelo para que as indústrias invistam em Santa Catarina e vamos juntos buscar o milho aonde for possível”, ressaltou Pedrozo.

Santa Catarina é o maior importador de milho do Brasil, com necessidade de mais de 7 milhões de toneladas por ano para abastecer seu parque agroindustrial. Pedrozo classifica o problema de escassez no Estado de “pandemia agrícola”.

“A gente vive da matéria-prima chamada milho e estamos muito preocupados com o futuro do produtor e com a indústria de proteína animal. Se não pararmos para pensar políticas públicas que melhorem a logística, o abastecimento e a remuneração do produtor, teremos um futuro caótico”, alertou.

O presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc), Luiz Vicente Suzin, afirmou que os produtores necessitam de segurança e de apoio para não desistirem da atividade. “Precisamos trazer alento aos produtores, trabalhar com soluções para o combate da praga da cigarrinha e para o déficit de milho. O produtor precisa de segurança, caso contrário vai migrar para a soja, o que piorará a escassez do grão no Estado. Vamos buscar soluções em conjunto”, grifou o dirigente.

PROTEÍNA ANIMAL

O presidente da Associação Catarinense de Avicultura (ACAV), José Antônio Ribas Júnior, enfatizou que o milho é um insumo absolutamente relevante para a produção de aves e suínos. Segundo ele, do custo final de produção de um animal vivo (ave ou suíno), 55% vem da cadeia de grãos, destes, 40% do milho. O setor passa por um momento bastante crítico de abastecimento por conta das elevações nas cotações, o que preocupa o setor.

“Nós temos que buscar alternativas para superarmos este momento. Acredito muito que o mercado tende sempre a buscar o equilíbrio, mas precisamos atravessar essa ponte para não termos pequenas empresas fechando ou até grandes empresas reduzindo seus planos de investimentos, suas produções ou atrasando suas expansões. Isso traria uma pressão inflacionária desnecessária ao mercado brasileiro”, alertou Ribas.

Entre as alternativas imediatas, o dirigente citou a importação (rota do milho), o incentivo aos cereais de inverno para produção de ração e o ajuste dos alojamentos, temas debatidos pelo Fórum. “O aumento dos custos preocupa bastante a cadeia e não é só dos grãos, mas do combustível e da energia elétrica que têm trazido dificuldades, desequilíbrio e insegurança ao setor. No final do ano passado, projetávamos um crescimento de até 5% para a área de aves e suínos em 2021. Hoje, dadas as dificuldades, achamos que talvez seja um ano de zero a zero em crescimento na disponibilidade de proteínas. Isso preocupa, porque a população já cresce 2,2% ao ano, ou seja, não acompanharemos essa demanda. Justamente em um momento tão bom para as exportações, com vários recordes, o setor passa por este problema. Precisamos buscar alternativas imediatas”.

De acordo com o diretor executivo da ACAV e do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado de Santa Catarina (Sindicarne), Jorge de Lima, a rota do milho, a ração oriunda de grãos de inverno e a sanidade animal e vegetal são fundamentais para o Estado manter o status de qualidade e excelência como principal exportador reconhecido nacional e internacionalmente.  

“Nós temos hoje um volume abatido em Santa Catarina de 30 mil suínos por dia. Se multiplicarmos por 130 dias, tempo de crescimento até terminação, temos o total do rebanho para alimentarmos (3,9 milhões). Em aves, o abate alcança 4 milhões por dia, multiplicado por 42 dias, que é o período do alojamento, também temos ideia do tamanho do setor (168 milhões). Precisamos acrescentar pelo menos 700 mil toneladas de milho neste ano no Estado para assegurarmos a cadeia. Esse é o nosso grande desafio”, observou.

Lima frisou que o Estado já está dando os primeiros passos em conjunto com a Embrapa para validação dos dados para produção da ração com grãos de inverno, uma das soluções para reduzir a dependência de milho. “Somos o maior exportador de suínos, o segundo em aves, com crescimento exponencial registrado neste mês. Os grãos de inverno voltaram na pauta de discussão porque são uma das alternativas, porém temos um caminho muito longo pela frente. Sem dúvida nenhuma é um caminho que precisamos iniciar agora”.

FÓRUM

O evento também contou com a participação do governador do Estado Carlos Moisés da Silva, vice-governadora Daniela Reinher, secretário da Agricultura Altair Silva, secretário de Desenvolvimento Econômico Luciano Buligon, além de parlamentares catarinenses e técnicos da Embrapa, UDESC e EPAGRI. As autoridades abordaram programas e incentivos a culturas de inverno, logística e desafios para a implantação da rota do milho e a sanidade do grão, incluindo problemas como as pragas cigarrinha e podridão.

O Fórum Mais Milho foi realizado pelo Canal Rural, Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho) e a Aprosoja Mato Grosso, com apoio do Sistema FAESC/SENAR-SC, Fecoagro, Ocesc, Sindicarne, ACAV e Governo do Estado.

Foto 02 – Fórum debateu soluções para melhorar o abastecimento de milho em Santa Catarina e, consequentemente, assegurar a cadeia de proteína animal.




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