segunda, 25 de maio de 2020
27/01/2020 09:19

Complexo portuário: começa mobilização pela segunda etapa da bacia de evolução

​A expectativa é que o segundo teste ocorra ainda esta semana

Nenhuma operação portuária na história recente de Santa Catarina demandou tanta atenção quanto a manobra inédita que marcou o primeiro teste da nova bacia de evolução dos portos de Itajaí e Navegantes, no dia 16 deste mês. Não era para menos. O giro de 180º feito pelo navio Valor, na nova área de manobras, é garantia de sobrevivência ao segundo maior complexo portuário do país, em movimentação de contêineres. Uma estrutura que responde por quase 60% do comércio exterior em Santa Catarina.

​A expectativa é que o segundo teste ocorra ainda esta semana. A Marinha determinou seis manobras antes de homologar a bacia de evolução, com autorização para subir de 306 metros, para 336 metros, o limite de comprimento dos navios que atracam nos terminais locais. Navios maiores também significam mais cargas para o Complexo.

Os terminais portuários têm pressa: só no ano passado, a limitação para o tamanho dos navios fez com que os portos de Itajaí e Navegantes deixassem de movimentar pelo menos R$ 60 milhões na cadeia portuária – o que inclui os mais diversos serviços, de transporte rodoviário a despachante marítimo.

A obra, no entanto, não termina por aqui. A segunda etapa da bacia de evolução, que vai aumentar o espaço para navios com até 366 metros - podendo chegar perto dos 400 metros, dependendo da execução do projeto – ainda depende de recursos federais. Não será tarefa fácil: a segunda fase da área de manobras prevê investimentos de R$ 230 milhões vindos de Brasília, em uma época de recursos escassos e governo federal com pouca disposição para os gastos.

A causa foi abraçada pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc). Uma reunião, agendada para o dia 12 de fevereiro, vai tratar sobre a importância da segunda etapa da bacia de evolução para o Estado, e estratégias para garantir o recurso. Egídio Martorano, gerente de assuntos de transporte, logística e sustentabilidade da Fiesc, lembra que o Complexo Portuário do Itajaí-Açu não é apenas o maior do Estado, mas uma das maiores estruturas da América Latina.

Manobra aprovada pela Marinha
O primeiro teste da nova bacia de evolução do Itajaí-Açu foi também uma operação inédita. Nunca antes, em portos na América do Sul, um navio foi condução de ré pelo canal até alcançar a área de manobras, onde fez o giro de 180º. Em uma reunião, esta semana, a Marinha informou que a avaliação foi positiva. Mas ainda será necessário testar a manobra em outras condições – na entrada do navio, por exemplo. Nesse caso, a embarcação fará o giro assim que chegar ao canal de acesso aos portos, e seguirá de ré até o cais. Um balé sobre as águas, protagonizado por um gigante de aço.

Risco de perdas
Não há exagero em afirmar que a bacia de evolução é vital para os portos de Itajaí e Navegantes. Há menos de 10 anos, as estimativas indicavam que, a esta altura, os armadores já teriam trazido à América do Sul navios maiores, que os terminais não teriam condições de receber. Mas o ritmo de crescimento do comércio exterior desacelerou, o que atrasou a substituição de embarcações. Nos últimos anos, no entanto, o Complexo Portuário do Itajaí-Açu perdeu linhas e serviços que já operam com embarcações maiores que os limites atuais. Só a Portonave, em Navegantes, deixou de receber 32 escalas em 2019.

Atenção a Itapoá
A segunda etapa da bacia de evolução não é a única demanda da Fiesc para 2020 no setor portuário. Na reunião marcada para o próximo dia 12, também será tratado sobre a necessidade de adequações na Baía da Babitonga, para atender ao Porto de Itapoá. O problema é diferente de Itajaí: há profundidade suficiente, mas falta reparar uma curva no acesso ao terminal.

Infraestrutura em terra
Os portos são a ponta final de uma cadeia de transporte que precisa de melhorias de ponta a ponta em Santa Catarina. A Fiesc defende a requalificação dos corredores da produção catarinense – as BRs 101, 280, 282 e 285 -, além da inclusão do Estado na malha ferroviária nacional. Isso implica repensar os projetos da ferrovia Litorânea, ou Norte-Sul, e da ferrovia do Frango, ou Leste-Oeste.  Não se trata de alterar os projetos, mas pensá-los em conjunto. No ano passado, após apresentar as demandas ao ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, a federação ganhou espaço nas discussões do Plano Nacional de Logística e Transporte. O compromisso, agora, é levar dados de SC para embasar o projeto.

 Portos em números

* US$ 1,2 mil é quanto cada contêiner representa para a atividade portuária no Estado, segundo dados da Fiesc. O cálculo inclui impostos, empregos, geração de renda e serviços.

* R$ 172 milhões foi o custo da primeira etapa da nova bacia de evolução de Itajaí. A longo prazo, o prejuízo para Santa Catarina, caso a obra não fosse executada, é incalculável.

* 4,7 mil trabalhadores atuam diretamente no setor portuário em Santa Catarina, de acordo com a Fiesc. Em empregos indiretos, são mais 16 mil vagas.

Com informações do Jornal Diário Catarinense 




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