quarta, 22 de janeiro de 2020
15/01/2020 08:49

Exportação do agro cai em 2019, mas receitas beiram US$ 1 tri em dez anos

A média anual das exportações de 2010 a 2019 é de US$ 93 bilhões. A dos dez anos imediatamente anteriores é de apenas US$ 43 bilhões, segundo dados da Secex

As exportações do agronegócio de 2019 tiveram participação menor na balança comercial do país do que a média dos últimos cinco anos.

Ao atingir US$ 96,8 bilhões, representaram 43,2% do total geral das receitas obtidas pelo país no mercado externo. Em 2015, esse percentual era de 46,2%.

Apesar do recuo das exportações do agronegócio em 2019 —houve queda de 4% em relação a 2018—, o volume total de receitas acumulado em dez anos caminha para US$ 1 trilhão.

De 2010 a 2019, o setor rendeu US$ 931 bilhões para o país. É um volume que deverá ter aumentos constantes a partir deste ano. Sai da ponta da lista o último dado de exportações na casa dos US$ 70 bilhões por ano —o de 2010— e entram valores superiores a US$ 90 bilhões a partir de 2011.

A média anual das exportações de 2010 a 2019 é de US$ 93 bilhões. A dos dez anos imediatamente anteriores é de apenas US$ 43 bilhões, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) e do Ministério da Agricultura.

O país mudou de patamar no comércio externo na última década, e as receitas obtidas deverão se aproximar rapidamente do US$ 1 trilhão no acumulado de dez anos.

O Brasil ganhou espaço externo com o avanço de vários produtos. O principal deles foi a soja. Em 2010, o país semeou 23,5 milhões de hectares com a oleaginosa. No ano passado, foram 36 milhões. A produção subiu de 69 milhões de toneladas para 115 milhões no mesmo período.

As carnes também tiveram um papel importante nesse novo posicionamento brasileiro no mercado externo. O país teve uma aceleração da produção exatamente no momento em que aumentou a demanda internacional.

No ano passado, a China só não teve problemas mais sérios no abastecimento interno de proteínas devido à disponibilidade do produto no mercado brasileiro.

O agronegócio vem ganhando boa presença externa também com as florestas plantadas. Em 2019, as receitas vindas do exterior somaram US$ 13 bilhões, e o grupo foi o terceiro maior em importância para a balança comercial do agronegócio. O principal produto desse setor é a celulose, cujas exportações já rendem até US$ 8 bilhões por ano.

O Brasil ganhou muito espaço externo também com o milho. A área de plantio de 13 milhões de hectares, em 2010, subiu para 17,5 milhões no ano passado. E a produção quase dobrou, superando 100 milhões de toneladas. Com isso, o país elevou as vendas externas para patamar recorde.

As exportações do cereal ocuparam o segundo posto no ranking dos produtos no ano passado, e as receitas obtidas somaram US$ 7,4 bilhões.

Esse é um dos produtos brasileiros que devem ganhar importância no mercado externo. Além do aumento de área, os produtores nacionais vêm obtendo ganho na produtividade. Em 2010, a produção nacional era de 4.311 quilos por hectare. No ano passado, somou 5.718.

Café e açúcar, devido a preços externos desfavoráveis, perderam espaço na balança comercial nos anos recentes. Pior é o caso dos lácteos. Com um dos maiores rebanhos de gado de corte do mundo, o Brasil não consegue desenvolver uma produção de leite que coloque o país no cenário internacional.

SEM FORÇAS

A aceleração dos preços das carnes na reta final do ano passado dificultou as vendas brasileiras de animais vivos. As exportações de bovinos em pé renderam US$ 356 milhões ao país no ano passado, 33% menos do que em igual período anterior, de acordo com dados da Secex.

Bom começo — A exportação de carnes está em ritmo acelerado. A alta no volume da suína e da bovina foi de 73% nos primeiros sete dias úteis, em relação a 2018. Já o aumento da de frango, mais modesto, ficou em 37%, segundo a Secex.

Peso na inflação —Dos 15 produtos que mais cooperaram para a taxa de inflação na primeira quadrissemana, em São Paulo, 13 deles são de origem agropecuária, segundo a Fipe.

Trigo argentino —A produção será melhor do que a esperada. A Bolsa de Cereais de Buenos Aires estima 19 milhões de toneladas. Bom para o Brasil, que é grande importador. Com informações da Folha SP




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