quarta, 20 de março de 2019
20/12/2018 10:27

"Facada" nos recursos de SENAI e SESI acabaria com mais de 96 mil vagas para jovens e trabalhadores catarinenses

Beneficiados, na maioria de baixa renda, ficariam sem cursos educação de básica e profissional por fechamento de 10 escolas e com demissão de 1.790 funcionários, no estado

A “facada” prometida pelo futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, nos recursos do Sistema S teria efeitos “devastadores” sobre programas de educação técnica e serviços de saúde prestados à população da região Sul do país que beneficiam, principalmente, jovens e trabalhadores de baixa renda.

No caso do SESI e do SENAI, mais de 300 mil estudantes ficariam sem opção de cursos de formação profissional com o possível fechamento de 64 escolas e demissões de cerca de 3,7 mil trabalhadores das instituições em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e no Paraná. O próximo governo não divulgou plano para substituir os serviços das entidades para a população, como alternativa aos prováveis cortes orçamentários do Sistema S.

“A proposta de cortes no Sistema S teria efeitos devastadores sobre instituições que funcionam e prestam serviços essenciais para jovens e trabalhadores brasileiros. Além de acabar com empregos de educadores, técnicos, especialistas e pesquisadores, se forem feitos, os cortes prejudicarão a educação, pesarão sobre a saúde e afetarão a economia do país como um todo”, explica o diretor-geral do SENAI e diretor-superintendente do SESI, Rafael Lucchesi.

 

Danos em Santa Catarina

No estado, o impacto da prometida “facada” pode comprometer até 30% dos recursos do SENAI e acabar com mais de 60,1 mil vagas de cursos técnicos profissionais por ano, no estado. Além disso, o corte orçamentário no Sistema S deve promover o possível fechamento de quatro escolas da instituição de formação profissional dos catarinenses.

No SESI, mais de 36,5 mil estudantes do ensino básico e de educação de jovens e adultos podem perder a oportunidade de estudar por que quatro escolas da educação básica da instituição podem ser fechadas no estado.

Além disso, o desemprego deve aumentar em Santa Catarina por que os cortes orçamentários no Sistema S, prometidos pelo próximo governo, vão influenciar diretamente na demissão de 1.790 funcionários do SENAI e SESI estaduais.

Na prática, o impacto será sentido por todos. No caso de jovens e trabalhadores, os cortes afetariam a principal rede de preparo e qualificação para o mercado de trabalho, com reflexos na capacidade da população de acompanhar a evolução tecnológica das empresas e até de conseguir o primeiro emprego.

“A formação profissional e a capacitação técnica de qualidade aumentam a empregabilidade do trabalhador e, para o jovem, é um importante diferencial para conquistar o primeiro emprego, numa faixa etária em que o desemprego é ainda mais grave que na média. O SENAI prepara uma parcela importante da população para que tenha uma profissão, e alcança e beneficia jovens e trabalhadores que não teriam as mesmas oportunidades pelo sistema educacional”, lembra Rafael Lucchesi.

 

Impactos Nacionais

Com 2,3 milhões jovens matriculados, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) é a principal responsável pela formação técnica e profissional de jovens e trabalhadores brasileiros para vários setores da indústria. Os cursos, dos quais 70% são gratuitos, são oferecidas em 541 escolas em todos os estados e no Distrito Federal. Segundo cálculos do SENAI, 162 delas fechariam as portas com os eventuais cortes.

Responsável pelos programas de saúde e segurança do trabalhador na indústria, o Serviço Social da Indústria (SESI) também tem uma rede de escolas de que beneficia 1,2 milhão de jovens com educação básica, principalmente de famílias de trabalhadores da indústria. Além disso, oferece cursos de reforço educacional para adultos com baixa escolaridade, serviço essencial uma vez que muitos dos trabalhadores da indústria não têm a educação básica completa ou capacitação profissional.

O SESI calcula que os cortes levariam ao fechamento de 155 escolas, com perda de quase meio milhão de vagas para jovens no ensino básico e no reforço educacional de adultos com baixa escolaridade. Na prestação de serviços de saúde a trabalhadores, que inclui desde a oferta gratuita de vacinas e exames de mamografia para trabalhadoras, a previsão é de que 1,2 milhão de pessoas ficariam sem o atendimento, tendo de buscar os serviços na rede pública ou custeá-los na rede particular.

“São milhões de exames médicos, consultas, vacinas aplicadas, além de atendimento médico e acompanhamento nutricional oferecidos pelo SESI para os trabalhadores da indústria. Na prática, esse é um trabalho essencial, que tira uma milhares de pessoas da fila assistencial e contribui para reduzir a pressão sobre os serviços da rede pública, que não tem dado conta de atender a população de forma satisfatória”, ressalta o diretor-geral do SENAI e diretor-superintendente do SESI.




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