quarta, 16 de outubro de 2019
04/06/2018 15:00

Com R$ 1,67 bi de perdas, indústria de SC precisa de crédito para retomada

Estimativa leva em conta 10 dias de paralisação do setor e foi apresentada pelo presidente da FIESC em reunião com o governador Eduardo Pinho Moreira

Segundo estimativas da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), os 10 dias de paralisação da indústria do Estado em decorrência do movimento dos caminhoneiros significaram uma perda de R$ 1,67 bilhão para o setor. O levantamento mostra que o valor do prejuízo exige que o ritmo de crescimento da indústria em 2018 seja de 2,8% apenas para equiparar as perdas; isso sem contar os insumos e produtos perecíveis que foram perdidos. “Precisamos que o setor público facilite a obtenção de crédito. Quer dizer, o governo pode ajudar junto ao BNDES e Badesc no sentido de facilitar o acesso, sobretudo, ao capital de giro. Hoje, sem faturamento, as empresas não têm liquidez”, afirmou o presidente da FIESC, Glauco José Côrte, que participou de reunião entre o setor produtivo e o governador Eduardo Pinho Moreira, nesta sexta-feira (1º), em Florianópolis.

Côrte ressaltou que é possível examinar junto ao governo a possibilidade de prolongar o período de recolhimento de tributos. “As empresas tendem a priorizar o pagamento da sua folha de pessoal, o que é compreensível”, completou. Segundo ele, a retomada completa depende de cada setor. Alguns têm a capacidade maior de reinício das suas operações, mas, na média, a retomada da produção deve ocorrer no período de um ou dois meses.

Na reunião, o governo informou que vai lançar campanha para valorizar a compra da produção da indústria local. Ainda no encontro, o presidente da FIESC defendeu a retomada do projeto de redução de 17% para 12% do ICMS cobrado nas operações de venda da indústria e de atacados de Santa Catarina para o varejo, nivelando a alíquota àquela cobrada quando o comércio compra produtos de outros Estados. Para a entidade, a iniciativa é benéfica à economia catarinense, por fomentar o consumo do produto local.

Em relação ao recolhimento do ICMS, Pinho Moreira disse que a Secretaria da Fazenda vai discutir com cada setor. “O governo está disposto a ouvir. Teremos setores da Secretaria da Fazenda e do governo que vão receber cada segmento que esteve aqui hoje mostrando as dificuldades”, afirmou, lembrando que a queda da receita do Estado em maio foi de R$ 130 milhões.

Para chegar ao valor de R$ 1,67 bilhão em perdas, a FIESC baseou-se no valor adicionado bruto da indústria catarinense. Estimativas indicam que em 2017 foi o equivalente a R$ 61 bilhões, que significa um nível de produção diário de R$ 167 milhões ou de 242 milhões de reais por dia útil. Assim, uma paralisação de 10 dias significa uma perda de 1,67 bilhão para o setor.

 




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