sábado, 20 de outubro de 2018
11/04/2018 08:15

Guerra comercial EUA x China impactará negativamente o Brasil, diz presidente da AEB

As exportações brasileiras estão centradas em commodities, atingidas diretamente pelas desavenças entre as duas potências mundiais

A guerra comercial entre Estados Unidos e China trará impactos negativos para o Brasil, declarou hoje o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, durante a abertura do 9º Encontro Nacional de Comércio Exterior de Serviços (Enaserv), que acontece em São Paulo. "As exportações brasileiras estão centradas em commodities, atingidas diretamente pelas desavenças entre as duas potências mundiais", afirmou Castro. Para ele, o Brasil precisa aumentar a exportação de serviços, que tem maior valor agregado, e responde hoje por 73% do PIB brasileiro, embora apenas 25% desse total seja resultado da exportação. "É necessário que o país faça reformas estruturais para que não esteja fadado a ser um país exportador de commodities apenas", sentenciou Castro.

A diretora de negócios da agência brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil), Marcia Nejaim Galvão de Almeida, disse que as exportações globais de serviços movimentam US$ 4,8 trilhões e mesmo o Brasil sendo o principal exportador da América Latina, ainda contribui muito pouco para esse montante. Ela destacou que o país vem se destacando na exportação de serviços de vários segmentos, como games, arquitetura, cultura e conteúdo audiovisual. Como exemplo, citou a série 3%, veiculada pela Netflix, que foi a série de língua não inglesa de maior audiência da plataforma de video on demand.

A atração de investimentos nessas áreas de destaque, citadas pela representante a Apex Brasil, é um grande desafio para os exportadores de serviços, mas que pode ser superado, segundo o superintendente da Área de Comércio Exterior e Fundos Garantidores do BNDES, Leonardo Pereira Rodrigues dos Santos. Ele afirmou que a instituição está desenvolvendo um projeto de financiamento para pequenas e médias empresas exportadoras de serviços com o objetivo de alavancar o setor.

O vice-presidente da Fecomércio, Rubens Medrano, disse que oportunidades de financiamento são necessárias, mas não bastam para o desenvolvimento de empresas exportadoras de serviços. Ele lembrou da importância do investimento em pesquisa e desenvolvimento para que a presença do Brasil seja marcante no comércio internacional, tornando possível a criação de serviços de alto valor agregado.

Para a secretária executiva do Ministério da Industria e Comércio, Já Yanna Dumaresq Sobral, o setor de serviços é fundamental para dinamizar a economia brasileira e que sua representatividade está alinhada com a de país desenvolvidos. Segundo ele, o setor é responsável por 67% das vagas formais de trabalho e contribui para a competitividade nos demais setores da economia. Ela citou a importância dos serviços na indústria 4.0 e na manufatura avançada. "Os serviços agregados, altamente tecnológicos, podem proporcionar um salto de produtividade e de competitividade que revolucionará a economia", diz Yanna. "Novos modelos de negócios vão surgir para fazer frente a essa nova realidade, tornando o setor muito mais dinâmico".

A secretária executiva do MDIC alertou, no entanto, que os países desenvolvidos continuarão a ser os maiores exportadores de serviços em todos os segmentos, exceto na área de construção, e que o país tem que abrir mais a economia. "O Brasil precisa se integrar ao resto do mundo, ampliar sua participação em cadeias globais de valor onde o setor de serviços tem um papel protagonista", afirmou.

O evento, que teve mais de 800 empresas inscritas, debaterá também transformação digital, exportação de serviços por médias empresas de engenharia e mecanismos de financiamentos às exportações de serviços, entre outros temas.

 




Últimas Notícias

Notícias

© Copyright 2000-2014 Editora Bittencourt