sexta, 01 de julho de 2022
09/09/2021

Pressão dos preços avança em agosto e pode gerar efeito cascata


A taxa da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), atingiu 0,87% em agosto- o maior patamar para o mês em 21 anos e acima das expectativas de mercado (0,7%). O índice já havia registrado alta histórica no mês anterior (0,96%).

No acumulado de 12 meses, a inflação acelerou e chegou a 9,68%, maior patamar desde 2013 (15,07%) na comparação com igual período.  No ano, o IPCA acumula alta de 5,67%, acréscimo de 0,91 pontos percentuais. Ambos os resultados infringiram o limite máximo da meta de inflação definida para o ano de 2021 (3,75%), com margem de tolerância de 1,5 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Com esse resultado, fortalece a tendência de manutenção e possível aceleração da alta da taxa SELIC. Desde março, a taxa passou de 2,0% para 5,75% ao ano. Segundo relatório Focus de 03/09/2021,  as expectativas de mercado indicam SELIC em 7,63%, portanto, há possibilidade da taxa estar acima do nível de neutralidade (retirada de estímulos da atividade econômica) até o final de 2021 e impactar negativamente a retomada econômica.

Efeito cascata

Em 2021, os choques dos preços destoam do ano anterior ao ampliar a variedade dos componentes afetados. A preocupação diante do cenário atual está voltada para a intensidade do avanço da inflação e o aumento nos preços para diversos produtos. “A alta da energia elétrica e do combustível torna o cenário mais arriscado, pois os itens são base para formação de outros preços, e esta elevação pode levar a um efeito cascata, impactando outros itens”, explica o economista da Fecomércio SC, Alison Fiuza.

Essa tendência é reforçada com os resultados de agosto. Dentre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito tiveram alta em comparação ao mês anterior.  Os maiores impactos foram do grupo de  transporte (1,46%), seguido de  Alimentação e Bebidas (1,39%) e habitação (0,67%). Dentre esses grupos, a alta foi influenciada pela aceleração dos combustíveis (2,96%), da energia elétrica (1,10%) e da alimentação no domicílio (1,63%).

A disseminação dos preços em diversos produtos é observada comparando a inflação acumulada de dezembro de 2020, que se concentrava no grupo de alimentação e bebidas (14,09%), enquanto em outros setores o impacto era menor, tais como Transporte (1,03%), Habitação (5,25%), artigos residenciais (6,0%) e deflação no Vestuário de -1,13%.

Já em agosto de 2021, a pressão dos alimentos permanece, com alta em 12 meses de 13,94%, mas os choques de preços foram ampliados para outros agrupamentos, como Transporte (16,63%), Artigos Residência (12,69%), Habitação (11,57%) e vestuários (7,1%).

Impactos no consumo

A expansão dos preços tem deteriorado o rendimento dos catarinenses. No 2º semestre do ano, houve redução de 1,4% no rendimento real médio na comparação com o trimestre anterior e de 1,9% em relação ao 2º semestre de 2020.  Com orçamento mais apertado, a Intenção de Consumo das Famílias Catarinenses (ICF) reduziu 0,73% em agosto diante do mês anterior.  Leia a pesquisa completa

Além disso, 90% dos entrevistados afirmam que estão comprando menos que antes e 58% dos consumidores acreditam que comprar a prazo está mais difícil. Essas condições são sinais dos efeitos negativos da inflação e do aumento das taxas de juros de mercado.

Fatores que refletem nos preços

– Aumento das commodities no mercado internacional: a elevação do barril de petróleo chegou ao patamar US$ 72,99 no final de agosto, acréscimo de 42,8% frente ao valor do início do ano corrente (US$ 51,09)

– Desvalorização do real: desde o início da pandemia a moeda retraiu 23,8%, passando a taxa de câmbio nominal de R$/US$ 4,24 (02/02/20) para R$/US$  5,25 (08/09/21).

– Eventos climáticos: longas estiagem e ocorrência de geadas interferem na produção agrícola e causam diminuição dos reservatórios das hidrelétricas, resultando no encarecimento da geração de energia em virtude do aumento da geração elétrica por termelétrica.



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