sexta, 01 de julho de 2022
03/09/2021

O Brasil no comércio internacional


Zilda Mendes

Por conta da pandemia de covid-19, era esperado que os resultados do comércio internacional referentes a 2020, divulgados pela Organização Mundial do Comércio, não fossem tão bons, não só no Brasil, mas na maior parte dos países.

Embora a balança comercial brasileira venha apresentando resultados positivos neste ano, a participação do Brasil no comércio internacional há muito tempo é quase insignificante, girando em torno de 1% em relação ao total das exportações e importações feitas pelo mundo. A pandemia só veio agravar o desempenho brasileiro, mas isto não pode ser considerado o único motivo pelo qual o país vinha patinando nas últimas décadas neste segmento.

Quem acompanha o comércio exterior brasileiro percebe que há um esforço bastante importante para o aumento das exportações e importações brasileiras, sobretudo de algumas câmaras de comércio que trabalham no sentido de divulgar e apresentar oportunidades de negócios para as empresas nacionais.

De sua parte, órgãos governamentais têm buscado desburocratizar e agilizar os procedimentos para as exportações e importações. Diversos eventos, teleconferências, debates e cursos, muitos gratuitos, são oferecidos não só por instituições governamentais, mas também pela iniciativa privada, para que profissionais se atualizem e se qualifiquem para atuar neste segmento.

Neste ano, foi lançado o primeiro Anuário de Comércio Exterior Brasileiro pelo Ministério da Economia, que apresenta uma visão do ano de 2020 do comércio exterior brasileiro e as ações adotadas para o enfrentamento à pandemia da covid-19. Neste relatório, são apresentadas as estatísticas e as medidas adotadas para as operações de comércio exterior, a facilitação de comércio, a modernização do Mercosul, financiamento ao comércio exterior, os acordos comerciais, a identificação de barreiras comerciais e internacionalização de empresas brasileiras, defesa comercial e interesse público, governança da política comercial e investimentos.

Esta publicação é muito bem-vinda. Há tempos era necessário que publicações oficiais como esta fossem disponibilizadas não somente para os profissionais que atuam neste segmento, mas também para que a sociedade de forma geral conhecesse e acompanhasse as ações do governo e pudesse avaliar positiva ou negativamente os resultados apresentados.

Já se podia notar que medidas estavam sendo adotadas para incrementar, desburocratizar e, principalmente, facilitar os negócios internacionais. Consultas públicas passaram a ser mais frequentes e fundamentais para a adoção de políticas adequadas e atuais para a prática do comércio exterior, o que certamente pode melhorar a performance e a competitividade do Brasil no mercado externo.

Os dados referentes ao comércio brasileiro de mercadorias em 2020, apresentados pela OMC - Organização Mundial do Comércio, apontam que houve decréscimo em relação ao ano anterior, tanto nas exportações como nas importações. O valor total das exportações brasileiras foi por volta de US$ 209 bilhões e o das importações, US$ 166 bilhões. Em 2019, estes valores foram de US$ 225 bilhões e US$ 184 bilhões, respectivamente. No ranking mundial, em 2020, o Brasil ocupou a 26ª posição como exportador e a 29ª posição como importador, sendo que em 2019 o país ocupava as 27ª e 28ª posições, respectivamente. Nestes últimos dois anos, considerando os países do BRICS, o Brasil ficou à frente somente da África do Sul.

Mas, independentemente da pandemia, que impactou negativamente no comércio exterior no mundo todo, com algumas pouquíssimas exceções, a pergunta que persiste é: por que o Brasil, mesmo apresentando superávits frequentes na balança comercial, não consegue aumentar a sua participação no comércio internacional?

Zilda Mendes - professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie, atua nas áreas de comércio exterior e câmbio.



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