domingo, 22 de setembro de 2019
03/03/2017

Mais de 1,6 mil caminhões pararam em Itajaí e Navegantes


Cerca de 80% da frota dos caminhões que operam no Porto de Itajaí, Portonave e demais terminais que compõem o Complexo Portuário do Itajaí já haviam parado até as 10 horas desta sexta-feira, 03. Itajaí conta hoje com uma frota aproximada de 8,5 mil caminhões, sendo que destes, cerca de 2 mil operam exclusivamente com o transporte de contêineres cheios e vazios. A informação parte do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Contêineres e de Cargas em Geral de Itajaí e Região (Sintracon), que estima que até o final da tarde de hoje a adesão seja total. Nos municípios portuários de Imbituba e Itapoá o movimento iniciava no meio da manhã.

Os motoristas autônomos reivindicam uma tabela de preços de fretes e melhores condições de trabalho. Celso Bressiani, assessor do Sintracon e um dos coordenadores do movimento, explica que o sindicato não quer a cartelização da atividade, como tem sido abordado no mercado, as preços justos para os fretes. Segundo o Sindicato, enquanto o frete de 15 quilômetros para um contêiner vazio custa em Santos R$ 239,32, em Itajaí custa R$ 90,00, para o trajeto de 16 quilômetros. O mesmo trecho, para o transporte de contêineres cheios, custa R$ 259,38 em Santos e R$ 220 em Itajaí.

A paralisação deve prosseguir até que as reivindicações do setor sejam atendidas, informa o Sintracon.

Atravessadores

O sindicalista garante que não quer encarecer o custo logístico ou baixar a competitividade do transporte em Santa Catarina, mas reduzir os ganhos dos atravessadores, que denomina de “gigolôs de caminhões”. Bressiani diz que enquanto um motorista recebe R$ 220 para o transporte de um contêiner, o atravessador chega a receber mais de R$ 600 pelo mesmo frete, no mesmo trajeto.

Outra coisa que a categoria quer é o cumprimento da Lei 11.442/2007, que dispõe sobre o Transporte Rodoviário de Cargas por conta de terceiros e mediante remuneração, que prevê o pagamento de R$ 1,51 por tonelada de carga ao caminhão parado, após a quinta hora. “Aqui isso não ocorre”, desabafa.

Ilegalidade

O Sindicato das Empresas de Veículos de Transporte de Carga e Logística (Seveículos) diz que a a criação de uma tabela fixando valores mínimos não é permitida por lei e pode ser configurada como uma formação de cartel. “A entidade não é contra a paralisação e a busca dos trabalhadores por melhores valores, mas hoje, as empresas associadas ao Seveículos já praticam preços acima dos valores propostos pelo próprio sindicato dos autônomos”, afirmou o sindicato em nota divulgada ontem, 02.

Segundo o sindicalista, os valores que são reivindicados em Itajaí e demais municípios portuários catarinenses está bem abaixo de tabela elaborada pela Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT), que já foi aprovada pelo Congresso Nacional e deve etrar em vigor em breve. 



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